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O que faz um VJ? Por André Pollux

Há algum tempo atrás, VJing seria considerado um palavrão. Na língua portuguesa, “videotecagem”. Para artistas, um simples agrado visual. Para músicos, um mero acompanhamento para suas performances. Mas os verdadeiros VJs fazem mais do que isso: eles criam uma interface interessante entre som e imagem. Moldam, revigoram e desafiam estéticas. Eles merecem ser reconhecidos como verdadeiros artistas do século 21.

Não temos muita certeza do que os VJs fazem, ou quem eles são. Não existem celebridades VJs. Até mesmo para os mais antenados, VJing é uma atividade obscura – até mesmo para mim, que sou VJ. Os mais generalistas descrevem o VJing como algo “muito similar ao que o DJ faz, exceto pelo fato de que você está mixando vídeo em vez de música”. No fim das contas, é isso mesmo.

VJ da balada ou da televisão?

Os primeiros VJs apresentavam clipes da MTV. OK, esqueça isso. O VJ de hoje em dia pode até ter alguma ligação mística com esses antepassados, mas não passa disso. VJs estão mais para alquimistas da imagem em movimento, misturando vídeos em tempo real diante de um público, mixando signos para uma cultura pós-moderna que diz já ter visto de tudo.

Foi nas casas noturnas que a figura do VJ ganhou a devida atenção. Na verdade, é lá que ele ainda ganha a maior parte dela. Quando as pistas de dança passaram a ser o novo foco da sub-cultura jovem, a mixagem de vídeo se tornou componente de uma trindade divina (música, vídeo e luz) que ainda têm muito para oferecer ao entretenimento noturno.

Mais do que qualquer outra forma de arte, VJing é sobre o agora. Uma reflexão instantânea. Um momento no tempo – VJ Oxygen

Mas a ideia de que o VJ que está restrito apenas a casas noturnas está com os dias contados. VJs também se apresentam em galerias de arte, teatros, grandes shows, em espaços urbanos e, claro, festivais de novas mídias. Não adianta (e é quase uma ofensa) pedir para um VJ “tocar” em um lugar onde os projetores estão voltados para a parede que ninguém vê. “Ali, ao lado dos banheiros, vai ficar muito bom!” #soquenao.

Onde está a poesia?

Hoje em dia, VJing é uma forma de arte eletrônica. Sem energia ou computador, não existiriam os VJs. O Apple Powerbook foi o grande provedor do VJ. Ao mesmo tempo, samplear se tornou uma realidade acessível. A mesclagem digital entre imagem, som e texto é senso comum, qualquer um pode fazer isso. Por isso o artista digital é na verdade um editor. Podemos gerar imagens infinitamente, a habilidade está em saber o que é bom, o que precisa ser guardado e o que pode ser descartado. Essa é a arte da edição e também do VJ. Além disso, lembre-se que VJs fazem isso ao vivo, diante de um público eufórico. Esse é um dos fatores que torna o VJing excitante.

VJ é tudo sobre apertar o botão certo no momento certo, e quando você se acostuma com isso você precisa entender porquê está fazendo isso e fazer com estilo – Graham Daniels (Addictive TV)

O VJ não precisa contar uma história, ele não precisa fazer sentido, muitas vezes as pessoas estão apenas captando fragmentos daquilo que está sendo exposto. É um estoque visual que deriva de motion graphics, filmes, comerciais, captações próprias, animações… Mas VJs não sampleiam o tempo todo, principalmente quando se trata de um projeto comercial (leia depois: As cabines dos DJs estão ficando malucas!). É que o grande olho do copyright, para variar, está sempre observando.

Nada disso é novidade!

Podemos dizer que o VJing existe desde o século 18. Logo que se tornou viável a projeção de imagens (estáticas ou em movimento), músicos e compositores da época vislumbraram a possibilidade. Alguns compositores, como Scriabin e Rimsy-Korsakov, teorizaram sobre o assunto. Nos cículos vanguardistas (principalmente na América da Primeira Guerra Mundial) era comum a projeção de imagens aleatórias, e de forma não-linear, com a intenção de questionar o rígido retângulo do cinema convencional.

Porém, foi nos anos 60 que a luz se tornou importante para os shows de rock e os happenings alucinógenos. Antes dos computadores a criação de um “show de luz” envolvia projetores enormes (muitos deles). Óleo era colocado nas lentes e misturado com água, químicas eram adicionadas em slides fotográficos e placas de vidro eram pintadas a mão e depois sobrepostas para formar diferentes cenários. Os resultados eram caleidoscópicos e sensacionais.

O futuro do VJ é promissor

Existe um espírito utópico no VJ, que pode ser notado pela forma como eles criam comunicação visual sem se restringir a questões comerciais. Essa é uma liberdade raramente encontrada nas áreas mais convencionais de produção de vídeo. Ao mesmo tempo, cada vez mais empresas buscam o VJ, como oportunidade de engajar novos públicos de forma inovadora. Vivemos esse momento, em que um trabalho antes visto como intransigente se torna um grande triunfo. A técnica do video mapping está aí para provar isso: se tornou produto de merchandising. Tudo tem seu preço, e por isso a cultura VJ precisa manter sua essência ao mesmo tempo em que lida com essas questões.

O futuro do VJ é promissor. Mais e mais pessoas talentosas querem seguir esse caminho. É uma cultura que se espalha rapidamente, pois já nasceu globalizada. É uma cultura que permite coisas que nenhuma outra permitiu até hoje, e conforme a tecnologia avança, o VJ pode oferecer mais e mais. Video games, celulares,tablets… Cuidado, eles ainda serão usados pelos VJs “contra” você!

Ops, mas isso já está acontecendo! O design de interatividade é outro grande desafio para os VJs. Quer ver seu tweet ali nas telas?  É só usar determinadahashtag… Quer ver seu corpo pegando fogo na projeção do palco? Basta se movimentar na frente do Kinect. E se fossemos mais longe? E se criássemos uma arte viva que respondesse a dinâmica da música? Com Processing e Arduino tudo é possível (e de graça).

Conteúdo originalmente publicado no site andrepollux.com.br . 

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