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Conheça o Tiles, novo selo brasileiro de música eletrônica

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Assim como um único azulejo, que tem a sua função histórica e decorativa, mostrando nuances estilísticas, o selo Tiles tem a proposta de introduzir a música inovadora e de qualidade, retratando o momento com músicas que persistem sobre o tempo.

Começa assim o release do novo selo brasileiro de música eletrônica, encabeçado pelos produtores André Salata e Guilherme Vieira. Fugindo de esteriótipos e estilos musicais, mas com um pé no techno, o objetivo do selo é trazer conceito e qualidade em todas as produções.

O primeiro EP We are Cowboys traz 3 faixas assinadas pelo André Salata:  Tocaia e a faixa-título em duas versões, com e sem vocal. Fizemos uma entrevista com o Salata para saber um pouco sobre os planos para o selo e o que ele pensa sobre o mercado da música eletrônica atual. Você por ler enquanto ouve uma prévia das faixas do EP:

Entrevista || André Salata

Vocês são produtores há muito tempo, qual o motivo para criarem o próprio selo? É complicado lançar um selo?

O primeiro motivo que surgiu quando começamos a falar sobre ter um selo, há bastante tempo atrás, foi de possuir uma plataforma para lançarmos nossa música. Eu e o Guilherme temos uma coisa em comum que é fazer as músicas da maneira que primeiramente nos agrade, sem seguir fórmulas do que está vendendo no mercado. Enquanto por um lado isso é bom, pois traz a personalidade do artista para sua própria música, refletindo algum momento que ele esteja vivendo ou algum timbre que ele ache interessante, por outro lado isso acaba assustando a maioria dos selos que, obviamente, querem estar figurando entre aqueles que vendem bem. Então a maioria dos selos prefere apostar em um tipo de som que já está vendendo bem do que em algo diferente.

Como eu e o Guilherme sempre focamos em qualidade sonora das músicas, acabávamos tendo um empenho para deixar o som soando bacana e encontrávamos dificuldades em conseguir assinar em lugares mais “vistosos”. Daí surgiu a idéia de se ter a própria plataforma de lançamento.  

No início foi assim, simples. Quando resolvemos mesmo tirar as idéias do papel e abrir o selo, decidimos que iríamos investir um dinheiro para que nossa música tivesse uma visibilidade maior, então fechamos com uma boa distribuidora e contratamos um serviço de promo pool que nos auxiliasse a levar nossa música a grandes DJs e produtores.

O que podemos esperar do Tiles?

A idéia do Tiles é lançar músicas com qualidade sonora apurada e voltadas para a pista de dança, que tenham um bom groove e que possam fazer as pessoas sentirem algo bom ao ouví-las, seja dançando ou seja tendo uma viagem. Tudo isso dentro da estética que permeia o house e o techno.

Quais suas impressões sobre as produções nacionais?

Acredito que a produção nacional só tende a melhorar. Hoje em dia o acesso a tecnologias para produção musical está cada vez mais fácil e barato, seja em termos de equipamentos e softwares como também – e principalmente – em termos de compartilhamento de conhecimento. Nunca foi tão fácil aprender sobre algo como nos tempos atuais, onde existem inúmeros tutoriais em blogs, como também em vídeos, ajudando os que estão começando a entender certos “mistérios” da produção. Obviamente que muitas vezes é necessário um filtro para se descobrir se aquilo é verdade ou não. Por isso existem diversos cursos hoje em dia, que ajudam a encurtar o caminho do aprendizado.

O que sinto falta na produção nacional é a falta de identidade do produtor. O pessoal começa a produzir e acaba confundindo o “se inspirar em alguém” com o “copiar alguém”. Se dermos uma navegada em sons no SoundCloud vamos ver que muita coisa parece igual, parece uma fórmula que provavelmente alguém criou (ou aperfeiçoou) e já deu certo. Por conta disso acredito que seja mais difícil desses casos se destacarem.

Outra coisa que costuma me incomodar no pessoal que está começando é o excesso de versões bootlegs de grandes nomes como Rihanna, Adele, Maroon5 e etc. O produtor acaba pegando o gancho de uma melodia de sucesso, de um bom vocal/letra ou de um nome, achando que isso vai destacá-lo e acaba ficando preguiçoso em aperfeiçoar os conhecimentos para fazer um trabalho 100% autoral (ou o que bastante gente chama de “Original Mix”) com qualidade e identidade. E é fato: gente preguiçosa não sai do lugar.

Pra fechar, o que você pensa sobre o mercado da música eletrônica no Brasil e no mundo?

Se formos comparar o mercado da música eletrônica dentro do Brasil com o mercado europeu, por exemplo, eu diria que ainda estamos aprendendo a andar, seja em questão de festas, como também de artistas com reconhecimento internacional. Claro que isso envolve uma questão cultural de cada região. Mas sou bastante otimista devido aos fatos. Hoje por exemplo já temos uma grande conferência anual que é o RMC (e isso consequentemente deixa o Brasil mais atraente para os estrangeiros do mercado), temos clubs investindo em tecnologias de entretenimento (como equipamentos de som, iluminação, projeção e leds), temos novos artistas surgindo com belos diferenciais (seja na identidade de suas músicas como também nas formas de se apresentar) e temos também o interesse de estrangeiros em vir tocar em nossa terra. O Brasil está pagando eles muito bem. 

O mercado mundial está cada vez mais em contato com a música eletrônica. Hoje muitos artistas de grandes gravadoras incorporam construções da música eletrônica em suas composições, temos o mainstream cada vez mais forte e temos misturas um tanto curiosas, como por exemplo Korn+Skrillex. Eu particularmente, há uns três anos atrás, não imaginava que uma banda de New Metal faria música com um artista da era digital. E isso vem acontecendo. Bandas de rock lançando novos álbuns com uma presença cada vez maior de sons eletrônicos, sequencers, efeitos e etc. Não tenho décadas de experiência no mercado, mas na minha opinião e percepção, a música eletrônica está vivendo seu auge. Vamos aproveitar isso enquanto temos tempo! 😉

Parabéns pelo selo André, vindo de vocês só podemos esperar coisas boas! Clique aqui para visualizar o EP no Beatport.

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.

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