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Technics encerra produção de toca discos no final do ano

Technics encerra produção de toca discos no final do ano

A Panasonic, grupo japonês que controla a Technics, uma das mais tradicionais marcas de equipamentos profissionais para DJs, anunciou hoje que a empresa deverá encerrar a fabricação de toca discos no final de 2010.

Já havia rumores sobre isso desde o final do ano passado, além de, obviamente, haver um consenso de que os toca-discos perderam muito espaço com a chegada dos CDJs e ainda mais com o crescimento do mercado de vendas digital.

Dois motivos foram apontados pela empresa japonesa como decisivos: O primeiro é o declínio de 85% nas vendas do equipamento nos últimos dez anos e o segunda é a falta de disponibilidade de peças que compunham os equipamentos, uma vez que os fornecedores dos componentes entraram em crise junto com o mercado. O anúncio marca o fim de uma era dominada pela empresa e a famosa série de turntables SL, presentes no mercado profissional há quase quarenta anos.

Leia o pronunciamento oficial da Panasonic:

Em relação aos produtos toca-discos analógicos, temos de informar nossa decisão de encerrar o negócio ainda este ano, infelizmente. A seguir apresentamos as razões que nos fizeram chegar a esta conclusão.

1) Desde o início da última década, nossas vendas de toca-discos têm diminuido drasticamente. É quase um quinto das vendas em comparação com há 10 anos

2) Muitas partes fundamentais não estão mais disponíveis, como alguns de nossos fornecedores pararam a produção, e alguns já interromperam a sua atividade. E há um risco da produção de algumas peças-chave que estão disponíveis atualmente poderem ser interrompidas de repente, porque essas partes hoje são produzidas apenas para nossos toca-discos. Nesse caso, não podemos produzir os produtos já pedidos. Nós vamos interromper a produção com antecedência, a fim de evitar o pior. 

Tecnologia xs DJ

Muitos simplesmente “culpam” o mercado digital e as novas tecnologias (computadores, controladores) pelo declínio do vinyl na pista, mas precisamos entender a nova realidade da música eletrônica. Primeiramente, a música eletrônica, devido ao barateamento e simplificação de sua produção, da identidade com nossos tempos guiados pela percepção sensorial e até mesmo devido à estagnação dos estilos musicais tradicionais, representa hoje um meio em crescimento exponencial.

Com esse crescimento, surgem novos produtores e DJs a todo tempo, ávidos pelo sucesso profissional imediato e sem tempo e dinheiro para competir com os profissionais já atuantes. Além disso, tocar com vinyl exige muita prática, concentração e experiência, havendo ainda o risco do DJ dar uma sambada por um erro mínimo. Os meios digitais “resolveram” esses problemas. Hoje é possível comprar dez ou vinte músicas pelo preço de um disco apenas.

Também é possível fazer um Live Pa sem nenhuma prática, mesmo que nada seja feito ao vivo e apenas seja apertado um botão. Também tem a pesquisa musical… Os DJs que tocam com vinys precisam de muita paciência para escolher novidades, ouví-las, e ainda que a pesquisa seja feita em um site, as opções são infinitamente inferiores à sites como o beatport. É assim que surgem os DJs “top 10”, que compram as músicas mais baixadas e acabou. Mas surgem também DJs que pesquisam e conhecem um novo artista a cada clique, devido às inúmeras opções disponíveis.

Por muito tempo o vinyl foi padrão pela qualidade inalcansável. Os puristas dizem que ainda é assim, mas eu não acredito nisso. A qualidade de uma música pode ser a melhor possível mesmo ela sendo apenas um pequeno arquivo. Outro ponto era a impossibilidade de fazer scratch, pois os efeitos de simulação dos CDs eram muito ruins, o que não ocorre mais. Não apenas cdjs, mas também controladores portáteis podem simular o efeito e te fazer jurar que é um vinyl.

O que não pode ser negado é a proximidade do DJ com a música tocada através do vinyl. Colocar a agulha no disco, arrumar a sincronização com as próprias mãos, variar a afinação para mudar a velocidade, empurrar o disco ao invés de apertar o play, enfim, colocar as mãos naquilo que é quase abstrato, que se espalha pelo ar… Isso não tem preço e não tem comparação. Com um disco, não existe um DJ falso, não existe encenação, ou sabe ou, literalmente, dança.

Não há dúvida que os DJs perderam muito prestígio sem os discos. Produtores mundialmente famosos, como Deadmau5, afirmam sem pensar duas vezes que os DJs apenas fazem fama com a música e talento dos outros. Uma pena. É cuspir no prato que comeu, ou pior, no berço que nasceu… Claro, isso também é fruto de muitos “DJs”  que apenas apertam o botão e posam para foto. Saudades teremos um dia, quando toca-discos serão relíquias super valorizadas e as máquinas os verdadeiros DJs (já temos?).

Abaixo  um vídeo de uma edição limitada dourada dos Technics SL 1200, que deverão valer mesmo ouro muito em breve…

 

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.

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