HomeEntrevistasConhece o Sindecs e a luta pelos direitos do DJ?

Conhece o Sindecs e a luta pelos direitos do DJ?

Hoje foi aprovada na Comissão de Educação, pelo senador Armando Monteiro (PTB – Pernambuco), o projeto de lei que regulamenta as profissão de DJ e Produtor DJ. O projeto ainda precisará passar pelo crivo da Comissão de Assuntos Sociais e depois pelo crivo da Câmara dos Deputados, mas esse é sem dúvida alguma mais um grande avanço para a categoria.

Um dos orgãos à frente dessa luta é o Sindecs. O Sindecs é o Sindicato dos DJs e Profissionais de Cabine de Som do Estado de São Paulo, uma organização que luta pelo reconhecimento da profissão DJ.

Muitos DJs não conhecem, outros apenas ouviram falar e alguns se posicionam contra mesmo sem saber o que de fato quer o sindicato.

Para que todo mundo possa entender o que é o Sindecs e quais seus objetivos, republicamos abaixo uma entrevista com Tibor Yuzo, profissional da indústria musical e vice-presidente do Sindecs.

O QUE É O SINDECS E POR QUÊ ACREDITAR NELE?

O Sindecs é uma entidade fundada com nome de sindicato mas com as características de uma associação de classe.

O Estatuto da entidade assim o define:

“Associação civil, com prazo de duração indeterminado e constituído para fins de estudo, coordenação, defesa e representação legal  dos DJ`s, Produtores DJ’s e Profissionais de Cabine de Som, com base territorial  no Estado  de São Paulo, legalmente reconhecido na forma da Constituição vigente.”

Eu acredito no Sindecs assim como eu acreditaria em qualquer Associação cujo objetivo fosse o de aglutinar os profissionais da área para buscar benefícios para a categoria DJ.

Entendo que a palavra sindicato carrega consigo o esteriótipo de uma instituição mafiosa e de objetivos nem sempre claros. Mas olhando de perto percebi que isto é uma visão descabida.

A categoria DJ não tem força pra aglutinar tanta gente a ponto de transformar o sindicato dos DJ’s numa entidade com a força política necessária para que ela se transforme em instrumento de manobra e barganha política.

É muita pretensão alguém acreditar nisso.

COMO O SINDICATO PODE AJUDAR O DJ?

São diversos os benefícios que uma entidade de classe pode proporcionar.

Reinvidicar junto ao ministério público mudanças necessárias a fim de proteger os interesses da categoria e auxiliar o trabalhador em questões jurídicas e de aprimoramento profissional são alguns destes benefícios.

Tudo depende do que a maioria escolher e votar nas assembléias. O processo é participativo, a exemplo de tudo o que acontece num sistema democrático.

Se tivéssemos mais participação dos profissionais da categoria talvez o texto apresentado ao Senado e Câmara fosse outro e causasse menos rejeição pública.

Os primeiros passos foram no sentido de buscar o reconhecimento da atividade como profissão.

A partir do reconhecimento da profissão tínhamos a idéia de buscar apoio junto aos programas que o governo possui, a exemplo do FAT e também vantagens para os profissionais junto a empresas do setor privado como seguro saúde, educação, financiamento, turismo, línguas etc.

O mais importante é tomarmos a consciência de que vivemos numa Democracia. E a instituição sindical, tem por força da lei, uma estrutura democrática.

Mas Democracia não é só criticar, isso é liberdade de expressão. Democracia consciente é ajudar a tomar decisões. E isto requer participação, não é simples e nem fácil como apenas emitir opiniões.

QUEM VAI DECIDIR QUEM PODE SER DJ OU NÃO?

Ninguém tem este poder de decidir quem vai tocar ou não.

A idéia de o profissional ter DRT para exercer a atividade de DJ pareceu sensata entre os presentes quando da redação da proposta de regulamentação da atividade.

O objetivo era exatamente proporcionar um pouco mais de proteção de mercado para quem já exerce a atividade e obrigar novos aspirantes a DJ a receberem informação e educação técnica, cultural e musical, aumentando assim o nível de capacitação do profissional brasileiro.

A exemplo de outras profissões já regulamentadas no passado, um período de adaptação (de 1 a 2 anos) existiria para que todos que já exercem a atividade pudessem obter suas DRT’s nas Delegacias Regionais do Trabalho, sem taxas para sindicato e nem a necessidade de frequentar cursos.

Pode parecer estranho a necessidade de uma licença para tocar como DJ, mas a maioria presente acreditou que isto pudesse ser visto com bons olhos a longo prazo.

Para o DJ, um dispositivo de proteção e respeito pelo tempo investido na carreira.

Para o contratante, um certificado e identificação do prestador de serviços junto ao Ministério do Trabalho.

POR QUÊ O SINDICATO NÃO COMUNICAVA SUAS AÇÕES?

Hoje o sindicato funciona através da colaboração voluntária. Colocamos do próprio bolso e por isso talvez não tenhamos a agilidade necessária para atender e comunicar a categoria profissional na velocidade e na grandeza necessária.

Já procuramos jornalistas da categoria com o intuito de divulgar este trabalho, debater com a categoria os seus interesses e abrir publicamente que o Sindicato não pertence a uma pessoa especificamente mas sim a todos que quiserem comparecer e contribuir com idéias, sugestões e principalmente com ações, tendo em vista a ausência de recursos financeiros.

Conseguimos o apoio de alguns sites, veículos e profissionais. Mas o interesse no assunto não foi unânime. Navegando na internet percebemos quem são os que apoiam a iniciativa e os que parecem empurrar o assunto com a barriga.

A impressão é a de que alguns jornalistas que atuam no segmento DJ defendem interesses de outra classe que não a dos verdadeiros trabalhadores.

O SINDICATO PRECISA DE DINHEIRO?

O Sindicato, assim como qualquer instituição, seja ela comercial ou não, precisa de recursos para manter a sua estrutura administrativa ou seja:

1 – Infra estrutura (sala comercial, casa, computadores, telefones, etc)

2 – Serviço de atendimento (telefônico e auxiliar administrativo)

3 – Serviços jurídicos (apoio ao associado)

4 – Despesas de consumo (telefone, água, luz, internet)

5 – Despesas administrativas (site de internet, correios, cartório, contador, publicações DOU)

Minha estimativa é de que esta despesa gire hoje em torno de 6 a 8 mil reais.

Desde que entrei no Sindecs, em 2009, tivemos R$ 0,00 (zero) reais de entrada.

DE ONDE DEVE VIR O DINHEIRO DO SINDICATO?

As fontes de renda dos Sindicatos dos DJ’s devem ser:

1 – Filiação voluntária (hoje o Sindecs tem zero associados contribuintes)

2 – Contribuição sindical (esta é obrigatória e equivale a 1 dia de salário do ano de quem tem carteira assinada).

Com relação a contribuição sindical obrigatória observe que esta só vale para quem tem carteira de trabalho assinada e registrada como DJ (quando houver o reconhecimento da atividade como profissão).

Se fizermos uma simulação de 1.000 profissionais no Estado que tenham carteira assinada (um número alto), com salário médio de R$1.500,00, o Sindecs receberá menos de R$ 30.000,00 por ano, deduzidos os descontos.

Isto é bem menos do que o necessário para arcar com as despesas administrativas. Ajuda de custo para quem trabalha no sindicato então…

É um trabalho de doação mesmo. Pessoal e profissional. Infelizmente muita gente acredita que não é bem assim.

O DJ TERIA QUE PAGAR MAIS TAXAS COM A REGULAMENTAÇÃO?

Não existe nenhum tipo de “taxa” a ser imposta aos profissionais da categoria após a regulamentação da profissão. Esta é mais uma inverdade que dizem a respeito da entidade. Entenda como:

1 – A contribuição sindical obrigatória só vale para quem tem carteira de trabalho assinada e registrada como DJ e equivale a um dia de salário por ano. Quem tem carteira assinada hoje provavelmente já está sendo descontado deste valor, que está indo para algum outro sindicato, sem ganhar nenhum benefício por isto.

2 – A regulamentação da profissão NÃO OBRIGARÁ NINGUÉM a ter carteira assinada. Quem atua como autônomo continuará agindo da mesma maneira, sem nenhuma intervenção do Sindicato. Mesmo porque este direito está assegurado ao trabalhador pela constituição.

3 – Não existe nada que obrigue a associação do profissional ao Sindicato, ele vai se filiar se achar a luta válida.

O contratante ou dono de casa noturna por sua vez também não recolherá nenhuma taxa ou imposto adicional. O objetivo é proporcionar, para quem tem carteira assinada, o registro  com a devida designação profissional e buscar, através da representatividade da categoria, benefícios em programas federais de apoio ao trabalhador e vantagens junto a empresas privadas.

O SINDICATO NÃO SERIA ALGO PARECIDO COM A OMB (Ordem dos Músicos do Brasil)?De maneira alguma. Quem é músico sabe como é a OMB. 

No caso dos DJ’s a filiação ao sindicato é voluntária. Pela proposta do sindicato, uma vez que o DJ tenha a DRT ele pode exercer livremente a profissão, sem a necessidade de ser filiado ao sindicato.

Nossa proposta é oferecer benefícios reais que estimulem o profissional a contribuir com o sindicato.

Alguns exemplos são: cursos de capacitação e especialização, workshops, eventos de intercâmbio, assessoria jurídica, dicas de mercado de trabalho, classificados, parceria com empresas prestadoras de serviços e produtos com desconto para associados e tudo o que conseguirmos de benefícios, a exemplo dos clubes de desconto existentes hoje em dia.

O sindicato não veio com a intenção de obter o poder por decreto mas sim por legitimidade ou seja: acreditamos que um trabalho transparente e com foco nos interesses da categoria é que darão força para esta entidade de classe.

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Para saber mais acesse o site do Sindecs, que está sempre atualizado com informações sobre a luta pelos direitos dos DJs e traz mais informações a respeito do Sindicato. Você também pode seguí-los no Facebook e no Twitter.

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Por:

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.

  • Realmente tenho que admitir que algumas declarações dadas aqui por mim foram equivocadas, inclusive em relação ao Nome De Antônio Carlos (E Não Carlos Alberto Como Foi Dito), Também posso garantir-lhes que não me sinto nenhuma autoridade dentro da instituição SINDJ-DF, até porque sou apenas um dos membros da comissão da mesma, mas nem por isso me acho menos importante dentro do processo.A intenção desse comentário não foi medir a ordem cronológica de atuação dos sindicatos existentes no brasil e muito menos comparar a força dessas instituições existentes…A ideia era ressaltar a militância do SINDJ-DF em prol aos avanços do projeto de lei que tramita no congresso nacional e que em nenhum momento, essas palavras, foram dadas como desmerecedoras ao empenho dado ao projeto pelo falecido senador Romeu Tuma.Nas votações estivemos presentes e atuantes,até porque pela localização, temos toda a facilidade e disponibilidade para acompanhar todo o processo em andamento.Acho digna a atitude do Sr. Antônio Carlos em ter compartilhado essas palavras de esclarecimento para todos os internautas e seguidores do site sobre o assunto em questão, já que esse é um conhecido veículo dentro do cenário dos disc jockeys nacionais.Pra finalizar…Eu Acho que por fazer parte de um país democrático, é que me senti no direito de tecer tais declarações, até então (desenformadas e equivocadas), sobre o assunto.Ainda bem que temos hoje esse veículo chamado internet, que faz com que as pessoas possam expor seus pensamentos, esclarecer seus pontos de vista e porque não dizer PEDIR DESCULPAS, coisa que certamente em 1980 não seria possível!!

  • Vamos la, começnado minha resposta ao Sr Dj Brother DF Meu nome é Antonio Carlos e não Carlos Alberto como mencionado acima, se vc olhar direitinho o numero da PLS 740/2007 de autoria do senador Romeu Tuma, que é qdo foi dado o pontapé inicial para o projeto de regulamentação de nossa profissão, estou a frente do sindicato desde o ano de 2003, ano de sua fudação e tudo que estou aqui falando esta documentado e provado, antes de nós do Sindecs a Dj Sandra Gal ja vinha comprando esta luta a quase 30 anos,
    No ano de 2008 foi qdo fizemos nosso primeiro contato com o Elivyo na intenção de estreitar nossa relação com Djs de outros pontos do Brasil, acredito que o sindicato do estado de Santa Catarina foi fundado antes de vcs e a seguir o sindicato do Amazonas, não para sua informação o Tibor passou a fazer parte do Sindecs no ano de 2009, mas participou da elaboração do projeto de lei que o Senador Tuma deu entrada no senado federal, muito me estranha esta sua atitude de escrever e minimizar minha participação e trocar meu nome em sua declaração um tanto equivocada,
    Até pq na realidade a autoridade da entidade SINDJ-DF que reconheço é do Sr Dimas, que é alem do Elivyoa pessoa que mais mantemos contato, no intuito do esclarecimento peço a vc que pesquise um pouco mais pq até uma carta do Sr Michel Temmer por nossa iniciativa endereçada a minha pessoa nós temos entre nossos documentos, carta esta que caso queira terei o maior prazer em lhe enviar uma cópia, assim sendo em defeza da nossa categoria no Estado de São Paulo, vi me na obrigação de lhe responder
    Antonio Carlos dos Santos Dj desde 1980 tocando ja profissionalmente

  • Pode crê amizade

  • Todos os DJ’S PROFISSIONAIS, DJ’S QUE VIVEM DA PROFISSÃO DE DJ e DJ’S PRODUTORES. A partir de agora estar mais unidos assim como vejo aqui no DF, tenho acompanhado o trabalho dos meus amigos: Brother, Celsão e Elyvio Blower. Junto ao SINDJ-DF. Somente a partir desse momento que todas as questões relativas ao reconhecimento da profissão tomaram proporção a nível de conhecimento de outros colegas que puderam também estar apoiando a causa. Acho que ta na hora de cada estado, município estar formando suas diretorias sindicais para fortalecer todo o processo.

  • Realmente temos que destacar a notória importância do Sindecs, na figura de Tibor Yuzo e Carlos Alberto, dentro dessa luta pela valorizacão do profissional DJ no estado de São Paulo e Também a nível brasileiro, mas…quero deixar bem claro aqui nesse comentário, que o pontapé inicial, para que todo esse processo de regulamentação da profissão fosse acompanhado, levado a frente e a risca, foi dado no começo de 2009 pelo SINDJ-DF (Sindicato Dos Djs e Operadores De Cabine De Som Do Distrito Federal) formado Por seu Presidente: Dj Celsão,Pelo Vice Dj Brother e pelos importantes membros de sua comissão, Dimas Roque, Thaís Katze, Elyvio Blower e Dj Woofgang que estão engajados nessa proposta desde a fundação do sindicato, que continua incorporado e atuante até o momento.Através da influência Do Dj Elyvio Blower, Tivemos condições de ter contato com os relatores das comissões, tanto do senado quanto da câmara, que
    estreitaram as burocracias do projeto de lei em questão, sempre o colocando como prioridade na mesa de votação.Deixando bem claro que esse projeto de lei, em 2010, passou por todas as etapas de votação, na câmara e senado, passando pela mão do vice-presidente da época e também ao ex. presidente Luíz Inácio LULA Da Silva que vetou o projeto no final dessas etapas no ano passado.Bom…Acima de tudo queremos agradecer o espaço e a divulgação dessa proposta pelo site DJ BAN, que é com certeza a favor da exposição de esclarecimentos sobre esse assunto e provavelmente seja também de acordo com a democracia e o bem está de todos os beneficiados com a aprovação desse lei.
    Texto Por: Dj Brother/Df – (Vice presidente do SINDJ-DF)