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#1 Saudosa Miloca – AMPGalaxy

#1 Saudosa Miloca – AMPGalaxy

Cara, eu gosto de ser saudosista.

Não só pra jogar na cara da sociedade que a ceninha eletrônica de uns anos atrás era muito mais legal (até mesmo pq meus veteranos dirão que na época que eu achava boa ela já estava ruim), mas porque eu vivi muita coisa boa da cena paulistana que ninguém ou pouquíssimas pessoas lembram hoje em dia.

Como por exemplo o AMPGalaxy. Essa foi a balada que eu mais frequentei na minha época de faculdade, lá pro ano de 2003. Batia meu cartão de início de carreira de clubber toda sexta-feira, com uma amiga da época do colégio.

Era única!

Eu não sabia muita coisa sobre música eletrônica naquela época, mas sabia que ali era o meu lugar e não na The Club e outras baladinhas da Vila Olímpia que bombavam pra caralho. Quase ninguém lembra desse lugar, mas ele era incrível.

O nome vem da marca de roupas A Mulher do Padre, uma das mais hypadas da época e que ficava na Vila Madalena, mais precisamente na Rua Fradique Coutinho. Composto por 4 andares (térreo, primeiro e segundo andares e subsolo), o AMPGalaxy foi a balada mais diferente de todas as que eu já conheci.

Os três andares (visíveis) incríveis do AMPGalaxy

Os três andares (visíveis) incríveis do AMPGalaxy, na Rua Fradique Coutinho (Pinheiros – SP)

Depois de se apresentar ao host mais excêntrico que eu já havia visto (uma vez parecia que ele estava fantasiado de demônio e nem era época de Haloween) você entrava no térreo da casa onde ficava o bar com uma decor totalmente retrô. Tudo vinha diretamente dos 70’s e 80’s e era nesse andar que tinha aquele banheiro unissex todinho espelhado que todo mundo gostava de tirar foto (quem nunca se perdeu lá?). Ali também era lounge e o DJ ficava numa cabine improvisada pequenininha embaixo da escada que dava pros andares superiores e na parede contrária, onde tinha a escada de acesso pro subsolo passavam umas projeções mais bizarras que as vinhetas da MTV..

Nos dois andares superiores tinha a loja da AMP, um salão de cabeleireiros babadérrimo e a própria fábrica da marca de roupas. Tudo funcionava no período da manhã e a noite nesses andares só abriam os caixas.

O banheiro espelhado do AMPGalaxy e uma moça que não sei quem é...

O banheiro espelhado do AMPGalaxy e uma moça que não sei quem é…

Mas era em outro andar que acontecia toda a magia do lugar. A escadaria para o subsolo dava em uma porta giratória e por ela entrávamos na pista da AMP. Lá era um verdadeiro inferninho! Um corredor estreito todo pintado de vermelho que nas primeiras vezes q eu fui tinha a parede lisa e depois encheram de espelho. Lá tinha um bar pequeno e um banheiro menor ainda (esse era só dos meninos. Quando a pista abria, o espelhado do térreo deixava de ser unissex e passava a ser só das meninas).

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A pistinha vermelha

Falando assim não parece ser nada demais. Mas imagina pra uma garota de 19 anos que praticamente não saia de casa como era ouvir aqueles batidas fortíssimas e sinterizadores superrasgados de electroclash e electro-punk em um ambiente superretrô e extravagante. Foi lá que escutei pela primeira vez as músicas da Peaches, Fischerspooner, Ladytron e Miss Kittin. E lá eu também vi os primeiros pocket shows do 2Yummy e do Cansei de Ser Sexy (uma das bandas mais bacanas do mundo, até então)

Aquilo foi um marco!

Quando ela começou a se infestar de público mainstrem a AMP ficou sem graça. Os playboyzinhos começaram a brotar com seus sapatênis, polos Ralph Lauren, vestidinhos de piriguete e cabelos arrumados com laquê e casa perdeu seu brilho.

Dizem por aí que na verdade o local fechou porque na época o proprietário não estava mais comportando a produção das roupas da AMP. Isso foi em 2006 e lembro que foi a notícia mais triste do ano pra mim.

E toda vez que passo pela lojinha da AMP, em uma das galerias da Rua Augusta, não tem como eu não dar aquele sorrisinho de saudades!

E você? Qual balada você tem saudades de frequentar?

 

Camila Giamelaro é uma mulher multitarefa no cenário eletrônico nacional. Com formação em publicidade, sempre teve na veia jornalismo e no final dos anos 2000 criou o blog Caixa Direita, voltado para a música eletrônica. Desde então, colaborou com sites e revistas como House Mag, Phouse, Psicodelia.org e DJ Music, foi Coordenadora de Mídias Sociais e editora do blog da DJ Ban e booker na Agência Tune.

Hoje atua como professora de Imagem e Comunicação para Artistas na DJ Ban e está a frente da agência GIG, uma agência dedicada ao mercado de música eletrônica que trabalhou com clientes como Pioneer DJ, Warung Tour São Paulo, D-Nox, Boris Brejcha, entre outros.

Também é DJ e produtora musical da dupla Binaryh.

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