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Produtores Fantasmas: um trabalho justo ou exploração?

Produtores Fantasmas: um trabalho justo ou exploração?

A última vez que você foi a um festival de EDM, você foi roubado. Você desembolsou uma boa grana pelo ingresso para assistir a um bando de DJs tomar músicas que alguma pobre e desconhecida alma secretamente criou para eles . Você foi enganado. E você deveria estar indignado! Você merece respostas!

É fácil ser pego nesta tempestade . A Ascenção da EDM trouxe os performers a um maior nível de celebridade e de segurança em si. As investigações no estilo TMZ feitas recentemente levou muita gente a descobrir o grande segredo dos produtores fantasmas (Ghost Producers). Esse conceito não é novo e existe desde o início da arte em si. São músicos sem créditos que compõem obras para um artista de maior visibilidade.

No último verão, Martin Garrix se sentiu pressionados por perguntas sobre a sua autenticidade enquanto ele conduziu uma transmissão de 68 minutos sobre a criação de seus hit “Animais “. Ainda mais recentemente, DJ Snake defendeu sua crescente, porém ainda recente, fama contra alegações de que ele havia furtado um remix de um produtor menos conhecido.

Uma busca no Google por “EDM Ghost Producers” mostra acusações contra grandes artistas eletrônicos como Skrillex, Steve Aoki e David Guetta nos primeiros resultados. Essas acusações não são exclusivas da música eletrônica, no entanto, como uma pesquisa semelhante para “escritor fantasma de hip- hop” (hip-hop ghost writer) , revela que artistas muito reconhecidos como Ghostface Killah, Kanye West e Big Boi receberam uma assistência de compositores desconhecidos.

Seriam essas alegações justas ou são críticas exageradas? Como Derek Allen do Mad Decent diz: ” As pessoas vão escrever e produzir música juntos, mas depois não há créditos para ‘co-autor’ e então todo mundo enlouquece!”
Para realmente entender o conceito de Produtor Fantasma temos que olhar mais profundamente sobre a carreira de um DJ moderno.

DJs e produtores foram elevados de casas noturnas e estúdios de gravação para os Main Stages de enormes festivais de música. Isso proporcionou à eles um novo estilo de vida, que traz consigo todo um novo conjunto de responsabilidades. O mesmo estilo de vida exigente que tem causado crises nervosas em todo mundo, desde Oprah até Charlie Sheen. São 24 horas por dia durante sete dias por semana em meio a um dilúvio de managers, publicitários, exigências dos fãs, representantes de gravadoras, viagens infinitas, sessões de fotos, entrevistas, mídias sociais, reuniões de negócios, apresentações e, por último mas não menos importante… fazer música.

A maioria das pessoas que trabalham em um emprego comum de horário comercial se queixa de que não têm tempo suficiente para ir para a academia, mas os músicos devem produzir um fluxo constante de música de qualidade nas mesmas condições. Uma maneira comum para equilibrar essa carga de trabalho é contratando um produtor fantasma (por vezes referido como “engenheiro”).

A raiva e acusações contra os produtores fantasmas nos leva a imaginar uma fábrica exploradora escura, cheia de prodígios da música de 12 anos de idade, acorrentados aos seus laptops, recompensados ​​com restos de comida enquanto produzem um disco de sucesso. Tente dizer isso para o Dirtcaps, o trio holandês dos membros Max, Danny e Tim; que trabalham em tempo integral no estúdio produzindo música para si e para outros DJs. Eles têm um novo single lançado pela Spinnin’ Records com o The Partysquad e futuros lançamentos nas gravadoras Ultra e Viscious. Eles também tocam em vários festivais ao longo do ano. Muitas dessas oportunidades foram resultado de seu trabalho como produtores fantasmas.

“Eu faço uma trilha para um  TOP DJ e daí ele diz que você vai ganhar uma taxa sobre a música que eu produzir e uma data em um Mainstage de um festival”, diz Max . Este tipo de termos e condições são acertados no contrato quando é feita a negociação de um trabalho como produtor fantasma. “É uma questão de dinheiro e também é uma questão de promoção”.

Se você está preocupado em relação a uma divisão justa do bolo, Max diz que “nós sempre ganhamos metade da do valor sobre a publicidade, além de reter os direitos de masterização… E a taxa sobre a produção também”.

Aqueles que criticam os produtores fantasmas também devem considerar a camaradagem que se desenvolve na comunidade DJ. Existe uma ligação profunda formada entre os artistas onde todos começam suas carreiras tocando nos mesmos clubes. Seria difícil para qualquer um ter sucesso se não apoiar aqueles que os apoiaram no passado. “É por isso que trabalhamos com produções fantasmas”, diz Max “Não é porque queremos ganhar muito dinheiro. É porque queremos ajudar uns aos outros”. Este tipo de colaboração é, sem dúvida, a força mais importante na arte e muitas das maiores obras da história foram colaborações, tanto públicas como privadas. Quase todo artista plástico de renome mundial – de Andy Warhol até Kaws – operam um estúdio empregando vários artistas jovens e talentosos para criar obras-primas sob sua orientação.

Musicalmente, mesmo os mais famosos músicos solo têm trabalhado com equipes de produtores, escritores e engenheiros para compor seus hits. Olhe para os créditos em qualquer registro de Kanye West e você vai encontrar os colegas escritores e músicos adicionais que emprestaram o seu apoio. Os Beatles tinham quatro membros (além do produtor Phil Specter) envolvidos no processo criativo. Então, como podemos apedrejar David Guetta por conseguir uma ajudinha ao produzir músicas que agradam milhões em todo o mundo?

Max, Danny e Tim são os Dirtcaps

Max, Danny e Tim são os Dirtcaps

Derek Allen aka DJA, bem conhecido por seu trabalho com Diplo , é alguém que sabe algumas coisas sobre colaboração. Ele falou recentemente com o site Do Androids Dance sobre sua luta para ser devidamente creditado, no entanto, ainda está de pé pelo processo de colaboração. “Eu não sei por que, mas as pessoas parecem ter uma estranha obsessão com a idéia de que o artista veio com tudo por conta própria”, diz Derek , “No passado isso não importava – havia grande orçamentos, muitos discos vendidos – havia listas enormes de créditos no encarte e um monte de prêmios para todos os envolvidos “.

A ideia de colaborar diretamente com outros artistas também é muito comum para o Dirtcaps, que muitas vezes recebem arquivos de computador com a ideia básica de uma música já definidos. “Não é como se o Max estivesse produzindo uma faixa e quem nos contratou estivesse sentado do nosso lado sem fazer nada… Eles cooperam muito”, diz Danny.

Claro que existem aqueles que vão tirar proveito . Max é o primeiro a admitir que “foram ferrados” no passado. Isso é uma realidade no mundo da música (ou em qualquer indústria competitiva , na verdade), mas para artistas como Dirtcaps e Derek Allen, os prós superam claramente os contras.

“Eu acho que é muito importante que as pessoas saibam como funciona a coisa toda, porque não é tão ruim assim”, insiste Max. “Funciona nos dois sentidos. Também é bom para as pessoas que escutam a música, porque caso contrário não teriam a música que eles têm agora… Esse processo traz qualidade para a mesa”.

Via: Do Androids Dance

E o que você acha sobre isso? Qual a sua opinião sobre o trabalho dos produtores fantasmas?

Publicitária por formação, jornalista de coração, viciada em música eletrônica e academia.
Foi Editora do site e social media master da DJBan-EMC

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