Maestro Invisível, filme sobre o primeiro DJ do Brasil

Maestro Invisível, filme sobre o primeiro DJ do Brasil

Você já ouviu falar sobre a Orquestra Invisível? 

O filme abaixo foi inspirado no livro Todo DJ Já Sambou, da Cláudia Assef, e conta um pouco da história de Osvaldo Pereira, conhecido como o primeiro DJ do Brasil. O curta conta uma história de valor inestimável e tem só 15 minutos, vale muito a pena!

Para não perder a viagem, deixamos abaixo um trecho do Todo DJ Já Sambou, que além da história do seu Osvaldo conta toda a história da discotecagem nacional até os anos 2000.

Você pode comprá-lo aqui, a leitura é mais que recomendada. 

Todo DJ Já Sambou

No final dos anos 50, São Paulo tinha bons salões de baile. Os mais famosos eram: Clube Holms, Clube 220, Palácio Mauá, Paulistano da Glória, Clube Piratininga, Casa de Portugal e Som de Cristal. As festas nesses salões eram verdadeiros acontecimentos. Sempre aos sábados, os bailes eram pomposos, animados por orquestras competentes, com músicos vestidos em traje de gala. Ao contrário de países como os Estados Unidos, não havia no Brasil um código social que vetasse a entrada de negros nesses bailes. O fator excludente era mesmo o alto preço dos ingressos. As festanças com orquestras eram verdadeiros shows, com músicos impecáveis, som da melhor qualidade e até iluminação caprichada.

Tudo perfeito para divertir os dançarinos da elite. Sabe a história da pessoa certa, no lugar certo, na hora certa?

Serve direitinho para contar como o técnico de rádio Osvaldo Pereira, hoje com 68 anos, se tornou o primeiro DJ do Brasil. Formado em rádio e TV, Osvaldo trabalhava numa loja que era, ao mesmo tempo, revendedora de LPs e assistência técnica de aparelhos eletrônicos. Quando não estava consertando rádios, Osvaldo ficava como vendedor na pequena seção de discos que havia ali. Fã de música desde criança, o técnico ficava frustrado por não poder freqüentar os bailes nos salões bacanas. Visionário, construiu um sistema de som com pouco mais de 100 watts de potência (um assombro para a época, porém pouca coisa mais potente do que um aparelho de som caseiro de hoje) e começou a fazer som em aniversários e casamentos no bairro de Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, onde mora até hoje. O ano era 1958.

Com um toca-discos dinamarquês da marca Torris e o sistema de som que havia construído, Osvaldo foi o primeiro a sustentar um baile num salão chique da cidade sem uma orquestra. Ou melhor, com uma orquestra invisível…

Em 59, um ano depois de começar a fazer festinhas de bairro, Osvaldo Pereira negociou com o proprietário do Clube 220 o empréstimo do salão aos domingos. A idéia parecia boa para ambos, já que o salão não funcionava naquele dia e Osvaldo prometia um baile bem mais barato que o habitual, já que não gastaria com músicos. Hoje, aos 68 anos de idade, aposentado, Osvaldo descreve, orgulhoso, a sensação de segurar um baile só com música mecânica: “Montei meu toca-discos no palco, distribuí as caixas de som pelo salão.

As pessoas que iam chegando não entendiam direito como um som tão potente saía da minha vitrolinha. Tinha gente que subia no palco para ver. Às vezes, eu ficava escondido num cantinho ou deixava a cortina fechada. Aquele sonzão todo e nenhum músico, o pessoal ficava meio assim. Daí um primo meu deu a idéia de divulgar que os bailes eram animados pela orquestra invisível, porque ninguém via direito de onde vinha o som. Eu gostei disso, achei charmoso. E completei com um nome em inglês bem bonito. Eu virei a orquestra invisível Let’s Dance”. Ali nascia, ainda que sem querer, o esboço do que viriam a ser, nos anos 70, as equipes de baile. Só que, no caso de Osvaldo, o DJ, o técnico, o roadie e o empresário eram a mesma pessoa. Em pouco tempo, a notícia da orquestra invisível de Osvaldo Pereira havia se espalhado pela cidade.

As festas tinham fama de ser boas e baratas, o que poderia ser melhor? “Outros discotecários se animaram, surgiram várias orquestras invisíveis em São Paulo”, recorda Kim, DJ e freqüentador do bailes, que cita, além de Osvaldo, o discotecário Daniel como uma lenda nas festas da virada dos anos 50 para os 60. “Só que o Daniel virou crente. Ouvi dizer que hoje em dia é pastor de igreja lá no bairro da Liberdade”, diz Kim.Do Clube 220, a orquestra invisível Let’s Dance foi para o Ambassador, outro salão chique da cidade, instalado na avenida Rio Branco. Ali, ainda em 1959, Osvaldo passou a comandar os sábados, além das domingueiras.

Como só tinha um toca-discos, ele conta que tinha que correr para trocar de música. “Eu trocava rápido porque conhecia muito bem os LPs, sabia do que as pessoas gostavam. Conforme fui pegando prática, o intervalo entre as músicas foi ficando tão pequeno que às vezes as pessoas nem paravam de dançar.” Quando demorava um pouco mais na troca, os dançarinos batiam palmas, como se aplaude uma orquestra de verdade no final de uma execução impecável. Na vitrolinha Torris do discotecário rolavam bolachas de 78 e 45 rotações. Até meados dos anos 60, as orquestras invisíveis tocavam um som bem fiel ao das orquestras de carne e osso. “A gente botava Glenn Miller, Stan Getz, Ray Charles, Frank Sinatra, Johnny Mathis, Ray Conniff… era um som bem requintado”, lista Osvaldo. Entre os artistas nacionais, os bons de pista eram Bolão e Valdir Calmon (os precursores do samba-rock), Golden Boys, Elza Soares e Miltinho, Eduardo Lincoln, Claudete Soares, Trio Ternura…

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