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Importação e ilegalidade: A verdade sobre nosso mercado

Esta não é a primeira vez que falamos sobre importação, impostos e ilegalidade por aqui. Temos uma matéria bem completa sobre uma pesquisa que fizemos com consumidores, além de vários dados acerca do tema aqui.

Temos também um post curto, mas direto, explicando porque não vemos Apple Stores e afins no Brasil.

A insistência com o assunto se dá pela insistência da mentalidade equivocada de muitas pessoas, potenciais consumidores (entenda-se poder aquisitivo para compra), que ficam indignados com os preços de nossos produtos e fazem comparações do tipo: “A loja XYZ vende mais barato”.

Sim, vende muito mais barato: sem procedência, sem nota, sem garantia no Brasil, sem pós-venda e, não se esqueça, sem reclamar depois!

Na prática, há dois preços médios (de qualquer produto) no mercado: O legal e o ilegal. Dentre várias lojas que vendem legalmente podemos fazer uma pesquisa e achar o menor preço, mas todas têm preços competitivos (ninguém quer vender menos!). Entre as lojas ilegais, também há as mais baratas. Aí vem o espertão e faz a comparação citada acima, pechinchando, como se quiséssemos vender mais caro e com isso fôssemos lucrar mais (!!!).

A economia estável brasileira nos últimos anos e a queda do dólar podem ter feito muita gente pensar “os preços vão cair, vou comprar vários equipamentos novos”… Mas não foi o que aconteceu, não é? Na verdade, por incrível que pareça, o preço do produto em seu local de origem pouco importa, pois a quantidade de impostos sobre a mercadoria pode fazer seu valor triplicar no momento em que ela chegar ao Brasil.

Quer saber como? Vamos lá!

Para importar um produto legalmente, são necessárias as seguintes despesas

•    Frete fornecedor/comprador;

•    Seguro da carga internacional;

•    Imposto II;

•    Imposto IPI (em cascata) de entrada;

•    Imposto ICMS (em cascata) de entrada;

•    Taxas antidumping para alto-falantes fabricados na China;

•    PIS (em cascata) de entrada;

•    COFINS (em cascata) de entrada;

•    Despachante aduaneiro;

•    Sindicato dos despachantes aduaneiro (taxa paga por importação);

•    Imposto IPI de saída, (enquadramento como “fabricante”), pagando 100% de IPI;

•    Imposto ICMS de saída, (enquadramento de “fabricante”), pagando 100% de ICMS;

•    PIS de saída (imposto duplicado para que opta por lucro presumido);

•    COFINS de saída (imposto duplicado para quem opta por lucro presumido);

•    Contribuição Social;

•    Imposto de renda pessoa jurídica para lucro presumido;

•    IR na fonte;

•    IOF;

•    Despesas de fechamento de câmbio pelo Banco Central;

•    Embalagem e pallets para exportação; pagas pelo importado e que ocupam mais espaço

•   Gastos com manutenção e troca de equipamentos (não há reembolso do fabricante);

Que tal isso na prática? Vamos supor que queremos trazer algo da China, o paraíso dos preços baixos…

–   Produtos………………US$ 2600,

–   Frete (maritímo – 40 dias)……US$ 250,

–   Seguro…………………………..0,5%

–   Valor CIF…………US$ 2870,

Impostos:

–   I.I. (20%)…………..US$ 600,

–   IPI (15%)…………..US$ 550,

–   ICMS (18%)……….US$ 950,

–   PIS (1,65%)……….US$ 100,

–   CONFINS (7,6%)…US$ 500,

–   Taxa SISCOMEX…US$ 20,

–   Armazenagem…….US$ 100,

–   Despacho…………US$ 300,

–   Transporte…………US$ 100,00

Resumindo

CUSTO MERCADORIA…………………USD 2600.00

CUSTO FRETE INTERNACIONAL…….USD 250.00 (é bem leve o produto)

IMPOSTO E TAXAS……………………..USD 2720.00 (mais que as mercadorias)

CUSTOS LOCAIS………………………..USD 500.00 (o mais negociado possível)

TOTAL …………………………….. USD 6070.00

Se esse fosse o custo para nós de apenas um produto (6070,00 dólares), como poderia aparecer um vendedor mais “esperto” e vender esse produto por, sei lá, 6000 dólares? É, aí tem… Mas é exatamente isso o que ocorre e acaba com nossa competitividade.

E isso porque não computamos os valores agregados após o recebimento da mercadoria como armazenamento, seguro, funcionários, divulgação…

E eu com isso?

Quando vemos no jornal uma empresária ser presa após fazer fortuna importando e revendendo roupas ilegalmente, logo pensamos “bem feito”. Mas afinal, quem compra?

Os tributos deveriam ser menores, os preços mais acessíveis, claro, mas isso não significa que você não está fazendo parte de um jogo sujo ao comprar mercadorias ilegais.

Nós também podemos dar um “jeitinho”, trazer “por baixo do pano”, vender sem nota (ou com notas sem CNPJ) ou qualquer outro esquema, e venderíamos muito mais, sem dúvida. Para a gente também é caro!

Mas somos éticos, acreditamos em trabalho correto e bem feito e, óbvio, sabemos que todos fazemos parte do mesmo barco. Além de vendedores, também somos consumidores, também passamos pela mesma situação “comprar barato ou comprar legalmente?”.

Fazemos a nossa parte. Informamos o consumidor sobre o produto, ajudamos na escolha, damos procedência, nota, garantia e realizamos trocas dentro do prazo sem qualquer problema. Os compradores ligam aqui e pedem ajuda, informações e nós fazemos isso com o maior prazer. Esse é o pós venda, que muitas “lojas” nem cogitam fazer.

Não podemos “obrigar” alguém a comprar conosco, mas podemos conscientizar as pessoas, que muitas vezes nem sabem, que produtos com preços “milagrosos” têm apenas um nome: ilegal.

Para finalizar, reitero que já falamos sobre isso anteriormente e temos um post muito esclarecedor e bastante elogiado sobre o tema. Temos também outro post, onde no final descrevemos um pouco sobre o outro lado podre do barco, as distribuidoras.

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Por:

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.

  • Marcus. O DJ profissional (que viaja) traz tudo embaixo do braço. Não há mal nisso como já citei. O que pode viajar (seja DJ ou não) tb… O objetivo é apenas mostrar as taxas que muitos desconhecem. Obrigado por suas considerações.

  • É uma opinião superficial mas a verdade é que INFELIZMENTE a carga de impostos “quebra as pernas” de pessoas idôneas como vc’s na hora de vender um produto importado…

    Um DJ profissional teoricamtente tem condicao de comprar no Brasil, então mesmo pagando (muito) mais caro, o pós-venda compensa já que o indivíduo não pode ficar muito tempo sem seus equipamentos. Já para um iniciante ou um entusiasta vejo como melhor opção comprar de lojas online internacionais. Assim estará fungindo desses importadores ilegais e podendo contar com um pós venda. Claro, não é a mesma coisa de ser atendido numa loja no Brasil, mas comprando marcas conhecidas, como Pionner, tem-se ainda algumas assistencias técnicas. São poucas as cidades, mas existem. E se for para mandar o equipamento para uma assistencia pelos correios, eu me sentiria mais a vontade mandando para algum lugar do Brasil…

  • Fala Bro, posso comentar também? :)

    Então meu caso vc ja conhece vou partilhar aqui.

    Meu amigo foi para os EUA e pedi pra ele trazer uma Kontrol X1 e uma audio 2 dj, saiu 450 reais a Kontrol X1 e a audio 2 dj 200,00.

    E usando o Traktor LE(écaaaaaaaaaa)

    A NI ta tendo promoçao lá no site deles tudo por 50% até 31 de dezembro por isso o preço barato Robson.

    Eu comprei pq a grana é bem curta aki mesmo, mas é só negociar que o pessoal sempre facilita aki.

    E o mixer comprei com o Ban e as proximas será dois cdj200, vai separando ai pra mim Bro em fevereiro eu to pegando : )

    Abraços : )

  • Amigo Ban, nao to criticando nem nada o que eu quis dizer que nao é todo mundo que tem condicoes de comprar os equipamentos no brasil assim como eu, por isso importei, paguei 200 dolares no traktor x1 mais 90 reais de impostos e 100 dolares no audio 2 dj e mais 80 de impostos.

    Abraços

    • Não disse que criticou, porém desculpe mas sua conta do TS PRO não bate.
      Primeiro que voce citou nossos preços médios quando poderia ter feito pelo a vista (voce sabe que no site da NI é somente a vista :)
      De outro modo, a NI lançou uma promoção até 31/12 mas nao tivemos essa “promo” no Brasil. Por isso fizemos um acordo com o distribuidor local e temos hoje KITS especiais, que a grosso modo, o TS PRO pode sair a R$ 1600,00. Sua conta de R$ 800,00 nao faz sentido, mas supondo que fosse um pouco mais, diria, uns R$ 1200,00 (justo!), vale a pena economizar 400,00 pelo suporte tecnico, pós venda e garantia de um ano no Brasil, além de valorizar o mercado interno ?
      Não tenho nada contra a trazer de fora, realmente é mais em conta, porém é importante passar as pessoas os custos que temos para fazer esse trabalho no Brasil e muitas vezes ele não é valorizado. Veja por exemplo o número de lojas que tínhamos e temos hoje. Abraçao.

  • Eu não sei direito, mas dizem que os impostos brasileiros são um dos mais altos do mundo pra importações e essas coisas. OK, mas o problema mesmo, é que o Brasil não produz praticamente NADA!
    Digo isso observando diversos setores.
    Brasil produz o que? Avião, soja, carne, leite, cana-de-açucar, petróleo, etc. O resto tem que importar e pra importar aqui, é caro! Esse é o problema do Brasil.
    Não bastasse isso, a população ainda ganha mal. Ganha pouco, paga caro e ainda VIVE mal!! Sem contar que te roubam, de alguma forma – na rua ou no senado.
    Quem tiver oportunidade de ir morar fora, vá correndo. Venha só passar as férias aqui!

    • Bingo Domrafa! Taxas sobre taxas sobre taxas… Junta-se tudo e temos os preços malucos que vemos… Se até a Apple não abre loja aqui (e vende macs a rodo), quem dera equipamento de DJ ? Realidade!

  • Robson, façamos o seguinte: Compro de voce o T S PRO A R$ 800,00 o numero de peças que voce quiser vender, desde que dê garantia de UM ano. Fechamos ? Não entendi o “via download da NI” se é além de um software, também hardware, logo, mesmo que a 300 dolares (no valor até 31/12 que eles dizem), gostaria de saber que conta você fez para sair de onde vem e chegar no Brasil a R$ 800,00. De verdade. Grande abraço.

  • Ah só uma coisinha que eu eskeci de dizer.

    Se eu fosse abrir uma loja, logicamente iria vender tudo certinho pra nao acontecer igual a mulher que foi pega. rs

  • Vamos lá

    vamos pegar uma pessoa que ganhe seu 2000 por mes e queira começar a brincar em casa(eu).

    traktor scratch pro no Brasil : +/- 2000,00 reais
    Traktor scratch pro comprado via download diretamente da Native-Instrumes: +/- 800,00 reais
    Kontrol X1 no Brasil: +/- 1000,00
    Kontrol X1 em duas das maiores lojas dos estados unidos = 600 reais(com impostos 60% do valor)
    Audio 8 DJ no Brasil: +/- 1800,00
    Audio 8 DJ em duas das maiores lojas dos estados unidos = 1300,00(incluso impostos 60% do valor)

    E um detalhe a Audio 8 DJ nacional inluci a version Traktor(LE) ecaaaaaaa rs, e a americana incluio o Traktor Scratch Pro.

    Por 1500,00 mais ou menos importando e com os impostos da receita incluso da pra comecar a brincar, agora se for comprar tudo isso no brasil gastaremos uma boa grana, nao é todo mundo que tem condicoes.

    Nao estou aqui pra dizer que vcs estao errados nem nada disso so estou dizendo a realidade do nosso brasil, infelizmente.

    Agora um kitzinho mais basico

    No meu caso peguei um traktor X1 e uma audio 2 dj gastei 700,00 com os impostos da receita federal e mais 60 dolares no traktor duo direto do site.

    Se fosse comprar no brasil infelizmente iria ficar pagando todos esses equipamentos durante 1 ano

    Abraços