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Entrevista com VJ Spetto

Entrevista com VJ Spetto

O grupo VJ Union no Facebook está com um projeto de entrevistas semanais com VJs de destaque no mercado. Tive a honra de entrevistar o Spetto, do United VJs (time por trás do software Blendy Dome e muitos outros projetos). Ele é um dos profissionais visuais mais conhecidos na nossa comunidade. Segue abaixo a versão em português. Para quem desejar ler e divulgar a versão em inglês, o link é esse.

Você poderia introduzir um pouco da sua história, destacando alguns momentos importantes – como seu primeiro contato com o VJing, o boom nos anos 2000, a disseminação do video mapping e sua dedicação atual ao stage design?

Eu comecei por acaso, desde que me lembro trabalho com música e vídeo, é uma extensão do que sou. Por volta de 1997 eu desenvolvi um software para manipulação de imagens ao vivo – e eu nem sabia o que era ser VJ. Para mim aquilo era uma forma de contar histórias dinamicamente (talvez hoje em dia chamariam aquilo de um sequenciador de memês).

Em 1999/2000 eu fui chamado pelos amigos Pet Duo (DJs Ana e David) a projetar em suas festas no extinto Club Absintho. Eu vim do Techno, do EBM, do Jungle. A partir daí projetar virou um vício e não larguei mais. Chegou uma época que eu só não projetava na segunda e na terça, pois precisava dormir um dia ao menos.

Por volta de 2003 (não me recordo ao certo) existiu uma noite marcante em São Paulo, no Hole Club. Era o Embolex Whiteout, festas audiovisuais quase que semanais. Lembro que muitos talentos foram revelados durante esse período. Também houve o Afrospot, outro clube que investiu pesado em projeções. Todos esses projetos de alguma forma foram importantes para reafirmar a cena audiovisual na cidade.

Larguei trabalho, documento, tudo e mergulhei na VJ Art. Fiz amizades no mundo todo por conta disso, e é daí que surgiu os United VJs, que no fundo são todos os amigos que fui colecionando nos diversos países. É o jeito que encontramos para poder estar ai fazendo uma coisa legal e estarmos unidos.

Em 2007, eu, VJ Zaz e VJ Sorted submetemos um projeto ao Royal Festival Hall, em Londres e fomos aprovados. Foi nossa primeira experiência em VideoMapping. Passei mais um ano estudando técnicas e formas e maneiras de fazer isso e em 2008 fizemos uma intervenção Guerrilla Style em La Paz na Bolivia, um VideoMapping na Estacion Central de Trens. Aliás estações de trens me perseguem. Tenho zilhões de trabalhos em estações de trens, costumo brincar dizendo que é o fantasma dos Lumiéres que me perseguem.

Stage Design foi uma tendência natural, recebi o convite para fazer o Palco do Planeta Terra e isso se tornou outra paixão. Desenhar palcos é toda uma história. Dentro do Stage existem algumas áreas: Sound Design e Light Design. O VJ/VideoMapping faz parte do Light Design e deve respeitar isso. Portanto é importante observar muitas características técnicas, de engenharia e de um modus operandis característico dos Palcos. Equilibrar luz e projeção, saber o momento certo de atuar com imagens e blackouts é essencial. Como diz o Fernão, dos Embolex, o Blackout é a coisa mais importante que o VJ deve aprender na hora de projetar.

No Brasil hoje em dia quem eu curto muito desenhando palcos é o Vitor Capinha. Ele tem projetos arrojados em LED, sai daquele café com leite de show sertanejo. Combinar tecnologias com design é um desafio ótimo.

O Brasil, e a América do Sul como um todo, alimenta uma paixão especial por VJing. Apesar de termos um mercado que cresce aos tropeços, o que você acha que temos de especial que nos ajuda a se destacar globalmente em festivais, competições e estudos acadêmicos?

Durante muito tempo escutei (e pude ver) que a America Latina detém o que chamo de Escola Narrativa, em contraste com a Escola Grafista européia. Ou seja os VJ Sets latinos tendem a ter mais discursos, histórias, narrativas não lineares.

Porém de um tempo pra cá esse movimento tem perdido relevância. Na atualidade, os brasileiros (e também alguns sulamericanos) vem se destacando pelo seu profissionalismo e aperfeiçoamento de suas apresentações. Eu calculo que dadas as dificuldades técnicas que passamos aqui isso acaba trazendo uma maior experiência em campo aos nossos VJs.

Também tem a questão de acesso a novos conteúdos. De uma forma ou de outra, a curiosidade nata de nossos povos permite que façamos releituras de novos trabalhos, que interpretemos o que vem de fora e junto com influências de nossas raízes possamos partir para uma criação única e que acaba quebrando certos paradigmas e regras implícitas em alguns VJ sets.

Você é um VJ conhecido e respeitado no mundo todo, e atualmente conta com um coletivo de profissionais extremamente qualificados, o United VJs. Vocês oferecem projetos audiovisuais inovadores para diversos tipos de clientes e mercados. O que você enxerga como mais limitador atualmente em termos de viabilidade desses projetos?

Tempo. Gostaria de ter mais tempo para poder pesquisar e executar as propostas que nos chegam. Muitas vezes não conseguimos dar respostas adequadas aos pedidos que caem em nossa caixa postal por já estarmos comprometidos com outras atividades.

Porém como disse recentemente em um post no Facebook, O Trabalho é um bebê chorão e a Vida uma namorada carente. Se vc der atenção demais ao bebê chorão você vai acabar perdendo sua namorada. Se der atenção demais a sua namorada logo lhe chamarão de irresponsável. Estou atualmente tentando casar as duas coisas, pois contratar uma Baby Sitter pode comprometer a educação do bebê chorão, né? E daí a variável Tempo é fundamental.

Vamos falar de tecnologia! Conte-nos mais sobre o Blendy VJ e o Blendy Dome VJ, softwares voltados para a solução de problemas relacionados com setups com múltiplos projetores. Por que vocês resolveram apostar no formado domo?

A família de softwares Blendy surgiu por conta de uma necessidade que tinhamos, e também como um desafio. O Blendy VJ surgiu assim, o Roger S, programador dos United VJs leu os famosos textos do Paul Bourke e a partir daí escreveu o código do Blendy VJ.

Já o Blendy Dome VJ surgiu por conta da extensa pesquisa do VJ Zaz sobre Fulldomes. Ele foi comissionado durante anos para pesquisar formatos e formas de projetar em planetários digitais. Numa conversa entre ele, o Roger S e o Boris Eldestein surgiu o embrião do que seria o Blendy Dome VJ.

Para entender o panorama atual: não existem softwares para VJs em planetários digitais. Se quiser projetar em uma cúpula é necessário gerar um filme no formato específico, cortar em slices, encodar em MPG, separar em servidores diferentes ou seja… um parto.

O princípio é simples: um computador com 6 saídas, distorções em Syphon e voilá, VJ Set em Fulldome. Porém a prática… Já se vão alguns anos testando a solução e finalmente temos um software que possibilita VJs com um laptop retina projetarem em 4K num planetário digital.

Porque fomos ao planetário? Eu escutei muito se falar de imersão sensorial mas nunca tinha presenciado isso realmente, de forma plena. O Fulldome possiblita isso, você está realmente “dentro” da projeção. É uma sensação única, conseguir “ver” objetos e imagens a kilometros de distância e isso parecer real. O efeito ótico proporcionado é único, e sinceramente, não existe tecnologia 3D que se compare a sensação que o planetário digital traz.

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