Contatos: (11) 3142-9676 / 3257-8717 / WhatsApp: (11) 97485-5700 - Seg. à Sex. das 09h00 às 22h00 e Sáb. das 09h00 às 18h00.

HomeEntrevistasEntrevista com Denis Mattos, um artista completo

Entrevista com Denis Mattos, um artista completo

Com a tecnologia e informação cada vez mais acessíveis, muitos artistas passaram a cuidar de todas as etapas de seu trabalho, da pré-produção à divulgação, passando por processos técnicos e criativos.

Denis Mattos é um exemplo de multiartista. Compositor, cantor, produtor musical e manager do próprio selo, ele acaba de lançar seu segundo álbum, ‘Til Love Is Here.

Na entrevista falamos sobre criação, produção e divulgação de músicas sob a ótica do artista independente.

Você é um exemplo de artista completo, adepto ao “faça você mesmo”. No seu projeto, quais funções você executa? 
De fato passei por todos os processos. Das composições às gravações de vozes e instrumentos, mixagem e masterização do álbum. Tudo feito por mim além do plano de divulgação e lançamento. Tive parceiros na direção de arte, fotografia, vídeo, design gráfico, imprensa, mas musicalmente fiz tudo. Foi um trabalhão, fiquei exausto! (risos)

Como é o seu processo de criação? 
Como conceito de um trabalho, procuro captar tudo que posso no meu processo criativo. Tudo que está ao meu redor no presente, memórias e lembranças do meu passado e minha visão de futuro. Sempre acabo fazendo uma mistura de tudo e direciono isso pra minha verdade no momento. Musicalmente falando, começo sempre pesquisando sonoridades, e a partir disso o album começa a se desenvolver, as melodias, letras e arranjos acontecem de forma bastante intuitiva e aleatória. Confesso a você que nunca sei extamente qual será o resultado final de um projeto. Só esperando para ver mesmo. E sempre tenho grandes surpresas.

Qual ou quais softwares você usa pra produzir?
Faço uma mistura boa: para composição e edição começo com o Ableton Live. Para mixagem uso o Logic Pro. Acho o Logic um programa excelente para isso, ele dá um “corpo” pra música além dos recursos que incluo como timbres ou plug-ins que dão o acabamento final. Por último, mas de extrema importância, o Pro Tools para masterização. Utilizo dos seus próprios recursos e dos plug-ins da Waves, além de outros plug-ins com pegada analógica para limpar o som e transformar toda a criação em produto.

De onde você tira esses sons com timbres vintage? Quais seus synths preferidos? 
Uso timbres dos próprios softwares, alguns drum machines de aplicativos que baixo na iTunes Store e drum machines analógicos, e alguns timbres do MicroKorg Vocoder XL+. Todos eles são bastante equalizados depois, que é um dos processos da produção musical que mais gosto de fazer: afinar os timbres, modificá-los ou deixá-los puros e cristalinos, garantindo uma boa relação de frequencias entre todos eles.

Você mesmo mixa e masteriza suas músicas?
Sim, realizo tudo no meu home studio. Dizem que é importante que você deixe estes trabalhos finais para uma outra pessoa pois esta terá uma audição diferente da sua e poderá acrescentar coisas novas. Não discordo deste ponto mas também não discordo de fazer a sua própria mix e master. Com intervalos nas audições você acaba criando uma audição crítica do seu próprio trabalho que te ajuda nos processos de finalização. E o “fazer tudo” confere uma coisa “genuína” e autoral à obra, o que não quer dizer que num próximo álbum eu não possa ter participações de outros músicos e produtores. Podem acontecer coisas muito boas neste processo de compartilhar a criação. Ainda farei isso.

Você lançou o álbum “Til Love Is Here” através do seu selo, a GOIA Records. O que te levou a criar um selo próprio? Como tem sido o resultado?
A GOIA nasceu da necessidade da formalização como músico e produtor,  e que esta ferramenta trouxesse maior profissionalização pro projeto, além de outras coisas que possam surgir como contatos com produtores, músicos e outras bandas. A GOIA vem com este intuito, agregar mais pessoas que tenham uma similaridade com tudo isso, criar uma cena nova no Brasil  ( mais especificamente em São Paulo, por enquanto ) e onde todos os projetos DENIS  serão lançados. GOIA em tupi-guarani significa: de gente semelhante.

Acredita que as mídias físicas, como o CD, ainda têm espaço? E quais os meios que utiliza para divulgar seu trabalho?
Sou otimista para dizer que eu acredito em todas as mídias. Assim como temos públicos distintos que gostam das mesmas músicas e dos mesmos artistas, estes públicos possuem comportamentos de consumo diferentes. Quando a música digital chegou todos diziam que o CD morreria e de repente o vinil vem ganhando cada vez mais espaço, num momento onde os downloads estão disponíveis a qualquer um. Será que realmente sabemos o que será do consumo de música daqui para a frente? Acredito que ainda não, e essa “revolução” no mercado fonográfico que vem acontecendo há décadas foi uma das coisas mais intrigantes que já vi em toda minha vida.

Quais dicas você daria para quem está começando agora?
Foco, disciplina e perseverança. São estas três palavras que me movem a realizar e fazer música. Acredite no seu potencial, no seu estilo musical e vá em frente. Seja você mesmo. As coisas acontecem de forma gradativa como tudo na vida. E antes de qualquer expectativa, tenha prazer em fazer música. O processo deve ser prazeroso e te realizar como músico e como pessoa. E seja feliz!

Ficou curioso? Conheça o trabalho do Denis em seu site: www.denis.mus.br

Facebook Comments

Written by

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.