HomeNotícias2º Mês da Música Eletrônica: O que todo baladeiro deve saber antes de gritar “acelera!”

2º Mês da Música Eletrônica: O que todo baladeiro deve saber antes de gritar “acelera!”

Se procurarmos um pouco na internet ou em revistas especializadas, encontraremos vários artigos falando sobre “os dez mandamentos do DJ” ou “manual para ser um grande DJ”.

Ocorre que o DJ só é bom ou ruim segundo o julgamento do público. E muitos DJs são julgados por públicos que não fazem a menor idéia do que ele faz, qual o seu estilo, qual a diferença entre um live e um set…

Será que os DJs também julgam o público? A pista não é tão importante quanto o DJ para fazer a noite perfeita?

Foi por essas e outras que criamos esse post com 10 dicas para a pista, com coisas que todo baladeiro deveria saber antes de dizer “Porra DJ”.

1. Warm Up

O primeiro DJ da noite acabou de apertar o play e  já tem gente comentando “acelera DJ!”. O que esse povo não sabe é que o DJ foi escalado para fazer o Warm Up da noite, ou seja, ele está preparando a festa, recepcionando o público e os DJs convidados. Se é uma festa comercial, ele provavelmente não tocará as músicas mais conhecidas ou “da moda”, para não queimar o repertório dele ou dos próximos DJs. Se for uma festa com um som mais pesado, ele começará tocando algo mais leve para que os próximos DJ entrem “quebrando tudo”. Não confundir velocidade com qualidade também é um fator predominante. 

2. Quem toca hoje? Que festa é hoje?

Antes de sair de casa, que tal uma pesquisa básica sobre o line-up da noite? Muita gente sai pra se divertir, sem se preocupar em saber o que vai ouvir na festa e depois reclama do DJ. Ou vai a um club que havia ido uma vez e gostado, e quando chega lá não é nada do que tinha pensado. Geralmente, nas casas noturnas, cada dia da semana é dedicado a uma festa e estilos musicais específicos, que atraem públicos diferentes, de acordo com o dia. 

3. O DJ eclético

Um grupo foi pra balada pra ouvir música eletrônica, mas o DJ insiste em misturar vários estilos musicais. Ou alguns gostam mais de um gênero de música eletrônica, mas o DJ parece tocar todos possíveis em seu set. Um DJ eclético costuma tocar em festas onde o público é diversificado e tem um gosto eclético. Eles estão lá para se divertir, ouvir músicas conhecidas, cantar junto. A missão desse DJ é não deixar ninguém desanimar, não importa o estilo que ele toque e quase sempre é “sucesso”!

4. Pediu, tocou…

Aproveitando a flexibilidade do DJ eclético, as pessoas pedem para ele as músicas que querem ouvir. “Toca aquela da novela”, é um pedido comum. E ele toca. “Toca aquela da novela” e ele toca outra música da novela. Aí reclamam! Era aquela mesma, a primeira que querem ouvir “de novo”…

 5. O DJ “conceitual”

Ele não tocou nenhuma música conhecida e tudo pareceu meio estranho, diferente do que o pessoal está acostumado a ouvir. DJs que se especializam em determinados gêneros costumam passar horas pesquisando músicas novas, de vanguarda, para fazer um set original. Sua missão é justamente surpreender o público e levar a ele uma experiência sonora única. Em festas mais conceituais, é bom ter a mente aberta para que não se conhece ainda, que só irá ampliar o repertório cultural de cada um.

6. O DJ produtor

É cada vez mais comum conhecermos DJs que produzem suas próprias músicas. É comum o DJ tocar apenas músicas de sua autoria, já que muitas vezes o público está ali para isso. Quando fãs vão ao show de uma banda, não esperam que toquem suas melhores músicas? Por outro lado é comum também o DJ só tocar faixas novas ou de outros produtores, pois muitas vezes suas músicas não são adequadas para o ambiente ou ele foi chamado para fazer um set, não um live. Até para quem conhece, muitas vezes vai à festa e espera somente o que já foi sucesso do produtor. Não conte com isso…

7. Set x Live

A princípio um Live é uma apresentação com intervenções ao vivo na estrutura das músicas e um Set é uma mixagem de músicas já prontas. Mas com o tempo e os avanços da tecnologia, a discotecagem foi ficando cada vez mais digital e as diferenças entre DJ Set e Live foram diminuindo. Muitas vezes o Live é apenas uma palavrinha ao lado do nome do DJ no flyer da festa, em outras o DJ “toca” com um Set pré-mixado ou com um “DJ de apoio”, que é quem faz a coisa funcionar de fato. Quando não se tem a menor idéia do que o DJ está fazendo ali, melhor pensar duas vezes antes de criticar ou gritar “toca muuuuito!”. É o mesmo que elogiar um cantor que se apresenta com playback.

 8. Tum, tum, tum…

“É tudo igual, não acontece nada”, dizem alguns na balada. Na pista as músicas têm uma função primordial: fazer dançar. Para isso, é preciso que o ritmo seja constante e que as músicas possam ser mixadas de forma contínua, para que o público não pare de dançar. Cada estilo e vertente eletrônica têm suas características, alguns mais melódicos, outros mais percussivos, alguns com vocais e outros que parecem um imenso loop, com a intenção de criar um efeito hipnótico. Só é tudo igual pra quem não gosta, não importa o estilo.

9. Amo o DJ X, amo música eletrônica!

Todo mundo diz que adora o DJ X, o DJ X vai abrir o show da Madonna, a música dele toca na rádio, tem clipe na MTV, foi eleito o melhor do mundo, alguém disse. E assim ele vira o novo ídolo da galera! Agora todos amam música eletrônica e o DJ X é parâmetro de qualidade pra qualquer DJ que vêem tocar. Bom, esse é exatamente o motivo desse post. Não é porque um DJ é famoso ou toca/produz um estilo que agrada a maioria, que ele “toca muuuito”. Quem toca muito tem técnica, repertório, feeling, improviso, experiência… E a música vai muito além do top 10!

10 . Valorize o profissional 

Em todos os casos, há oportunistas e profissionais, tocadores de música e DJs. Conhecer mais sobre a profissão e os profissionais é uma forma de valorizar não apenas o DJ, mas a si mesmo também. Um público bem informado, exigente e cada vez mais envolvido com a música fará com que o mercado se desenvolva, amplie seus horizontes. Os grandes DJs serão assim chamados pela técnica e repertório. Surgirão novos talentos, que não precisarão da aprovação das pistas de outros países para serem valorizados aqui. Quem sabe, de repente, não começaremos a ver estilos de música surgindo no Brasil porque têm a ver com nossa cultura, nossa música, e não apenas porque fizeram sucesso um ano antes em algum lugar bem longe daqui…

 

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Por:

A DJ Ban é uma empresa fundada em 2001 e sediada em São Paulo. Entre as áreas de atuação estão cursos, loja, TV, estúdios para treino e gravação de sets, palestras, locação de equipamentos, eventos, e outras atividades ligadas a música eletrônica.

  • Poow to fazendo o curso de Dj com um dos Dj mais conhecido da cidade ele toca no Bali Hay SC E realmente depois do primeiro dia de curso o cara ja sai com uma visão bem mais ampla do mundo da musica eletronica eu pessoalment toco Tech-House (Vou tocar) mas se preciso for fazer um Warm up Deep HAHAH cara musica eletronica é tudo de bom!

  • Esse pediu tocou é muito engraçado quantos Djs odeiam que o carinha chapado chega na mesa e pede “”Ei toca aquela..”” hehehehe

  • isso ai!!!
    a música vai muito mais do q o top 10!!!!
    parabéns!

  • Muito bom o Post !!! ja até compartilhei, vai servi para abrir a mente de muitas pessoas Abraço

  • Parabéns pelo post… vai pra divulgação no meu facebook!!!

    Grande abraço!

  • Ótimos comentários pessoal!

    A intenção era mesmo a de divulgar o post como algo informativo, que acrescentasse conhecimento àqueles que julgam os DJs todas as noites.

    Obrigado a todos pela repercussão!

    Um abraço!

  • Muito bom esse post!

    Muitas pessoas que conheco sempre falam “É tudo igual, não acontece nada” mas é porque eles nao gostam do tipo da musica, agora com certeza vou usar este post para explicar as pessoas.

    Vlw Thiago!

  • Esse seria o mundo perfeito, belissimo post!

    Mas ta bemm dificil hj em dia.. muitas subs celebridades pagando de DJ, muita coisa errada, acho que a culpa nesses casos vem dos donos de casas que entram num esquema desse visando apenas lucro, e também dos DJ’s de apoio que no minimo não amam o que fazer e topam mesmo que por uma boa quantia entrar numa dessas!!! Claro por ultimo do povo que topa toda palhaçada e paga, curte e contribui pra que isso continue acontecendo, mas essas pessoas são aquelas ecleticas que só querem ouvir qq som pra dancar bebado ou só querem ouvir os hits da novela, da radio, etc…

  • Excelente post!

    Digo por mim mesmo, que desde quando terminei o curso de DJ (há 1 ano atrás, mais ou menos) vou à balada com “outros ouvidos”.
    Antes eu julgava mais pelas músicas que tovavam, estilos mesmo.

    Hoje já observo mais a parte técnica da coisa, o trabalho do DJ mesmo. Como o cara faz a virada, o setup (isso nem sempre dá para ver, mas já vi desde CDJ 100/200 com mixer Stanton até MacBook com Traktor e DJM 2000), o andamento do set.
    E acredita que desde o curso, já é meio que automático eu ficar contando os tempos mentalmente durante a balada para ouvir se o cara vira na métrica certa? Inclusive em sets de rádio. Ouvindo a música e mentalmente indo 1,2,3,4,5,6,7,8!

    E lendo esse post agora, me fez observar um “padrão” em uma balada que vou: Nas primeiras 2h de festa, rola sempre um flashback anos 80/90, BPM em torno de 120 e a pista não cheia (pra dizer a verdade, quase vazia, os bares estão com maior concentração de gente).
    Quando a pista enche, o BPM aumenta na mesma proporção: começa as músicas atuais, estilo electro/house. E daí vai indo, sempre na mesma pegada.

    Sempre observei que “o BPM é diretamente proporcional à quantidade de pessoas na pista” :D

    E também é claro que vou à balada para ouvir coisas diferentes dos “Top 10” das rádios. E em algumas, eles geralmente estão no warm up!

    É isso aí, abraço à todos!

  • No fim dos 80 começo dos 90 não tinhamos tantos canais e facilidades de comunicação que temos hoje e e tinhamos menos “aceleras sem noção”. Será uma sindrome ligada ao excesso de informação e pouca preocupação sobre a seriedade das fontes. Pode ser também que o dinheiro,”sucesso e fama”, possam estar poluindo a cultura, pela idéia “moda”. As pessoas dizem que gostam de “Tecnico” ou “Pisai”, porque não estar antenado com o que “está pegando” é um “pecado” que se paga com risos do ridiculo humor católico ao qual fomos aculturados.