Tecnologia traktors4

Publicado em fevereiro 8th, 2011 | por Thiago de Lucca

As principais controladoras de 4 decks: Compare

No final do ano passado e começo deste ano as controladoras MIDI tudo em um de 4 decks passaram de novidade à tendência. As maiores marcas mundiais de equipamentos para DJ entraram na briga desenvolvendo produtos similares e associados à softwares (com pré mapeamento MIDI e proximidade visual com a interface dos programas).

Neste post separamos os principais lançamentos da categoria para que nossos leitores possam fazer uma comparação entre elas e talvez eleger suas próximas companheiras de cabine. Como a maioria não está há venda no Brasil e qualquer sugestão de preço das outras seria mera especulação, em nenhum momento falaremos de custo x benefício. Listaremos apenas as atribuições técnicas e detalhes que devem fazer a diferença para os consumidores. Vamos a elas!

NI Traktor Kontrol S4

Nós fizemos o primeiro post sobre a Kontrol S4 em Agosto do ano passado e já aguardávamos ansiosamente pelo lançamento. Era a primeira vez que a marca apresentava sua própria controladora tudo em um e já havia conseguido chamar a atenção de DJs e curiosos do mundo inteiro ao fazer uma prévia com o Dubfire.

Características

Ao primeiro contato me surpreendi pelo tamanho e peso, jurava ser maior e mais pesada. Os botões tem um bom espaçamento entre si, são bem sinalizados por LEDs e a organização das funções realmente se assemelha à interface do Traktor. Em minha opinião, vai ser o preferido por quem já utiliza o software.

A controladora vem acompanhada de uma versão exclusiva do programa, o Traktor Pro S4, que inclui um layout um pouco diferente e algumas novas funções de performance. Dois novos Sample Decks podem ser usados para disparar até oito samples ou loops sincronizados simultaneamente. E um novo Loop Recorder (foto abaixo) permite a gravação de qualquer trecho da mixagem ou intervenção ao vivo como loop, que pode ser incorporado à performance a qualquer momento e ajustado ao tempo com a função Quantize. O software não pode ser comprado separadamente da Kontrol S4.

Os Jog Wheels têm uma tecnologia eletromagnética nova, que diminui a latência e aumenta a precisão dos movimentos. Os discos são incrivelmente precisos, mas um pouco pequenos para quem deseja fazer um scratch, por exemplo. Interessante é a possibilidade de falar ou cantar algo no microfone, gravar e incorporar à performance. Se você prefere algo pronto, a versão exclusiva do Traktor ainda vêm com diversos samples da empresa LoopMasters, de vários estilos e vertentes.

A Kontrol S4 tem equalizador de três bandas para cada um dos canais, além de controle de filtro individual no mixer. Assim como as outras controladoras aqui analisadas, há um botão giratório (Browse) para procurar e selecionar músicas sem precisar de um mouse. Duas unidades de efeito podem ser configuradas entre 28 tipos de efeitos diferentes e Hot Cues também podem ser usados para marcar até quatro pontos específicos na música, em cada deck.

Como a maioria das controladoras tudo em um, há uma placa de áudio integrada ao equipamento. Ela é baseada na Audio 4 DJ, que tem qualidade 24bit/96khz e é uma placa muito usada por DJs mundo afora, de ótima qualidade. A controladora têm entradas saídas analógicas, MIDI In e Out, uma saída de áudio (RCA) estéreo, entrada para microfone, saída para fone e conexão via USB (mas também acompanha uma fonte externa, que promete mais brilho dos LEDs). Há ainda a promessa de controle via time-code de toca discos e CDJs, que deverá ser possível após uma atualização do software.

Para maiores informações você pode acessar nosso post dedicado à Kontrol S4 e o site do produto. Abaixo estão dois vídeos, um realizado pela fabricante e amplamente divulgado, outro realizado pela Quanta, distribuidora do produto, onde várias funções são demonstradas. Caso queira comprar a Kontrol S4, temos disponível em nossa loja.

Numark NS6

Líder mundial em vendas de equipamentos para DJ, a Numark apostou suas fichas em um modelo muito semelhante à V7 e NS7, porém com quatro decks e algumas funções a mais. A controladora foi desenvolvida em parceria com a Serato para ser a cara metade do software Serato ITCH. Portanto já não podemos compará-la com a Kontrol S4, para Traktor. É claro que ela funciona com outros softwares sem problema, mas tanto o pré-mapeamento MIDI quanto sua interface são ideais para o ITCH.

Características

A identidade visual da marca parece ter ficado novamente em primeiro plano, o que deixou o equipamento bonito mas com apenas uma cor indicando o que está sendo usado (vermelho). A primeira grande vantagem da NS6 está no tamanho de seus discos giratórios, que também são ajustáveis e extremamente precisos (a Numark jura que são os mais precisos do mercado).

Os quatro canais podem ser usados para controle de softwares, mas não apenas. Uma pequena chave presente em cada um dos canais permite o uso da controladora como um mixer, seja para CDJs, instrumentos ou um microfone, tornando-a bastante versátil. O espaçamento entre os botões e faders também merece destaque.

As funções acessíveis através da NS6, de um modo geral, são: Key Lock, Reverse, Scratch Mode, Loop Control (1/2x, 2x, In e Out, Reloop), Hot Cues, Beat Grid, Beat Skip (que garante a sincronia de faixas soltadas na hora) e duas unidades de efeitos com crossfader e seletor de parâmetros individuais, que podem ser direcionadas para cada um dos 4 canais.

O seletor de músicas mereceu maior destaque na NS6, em comparação com a NS7. Com um botão giratório no centro e modos de visualização literalmente na ponta dos dedos, o usuário provavelmente não lembrará o que é mouse enquanto estiver tocando com ela.

A função Strip Search (as telas nos cantos superiores) é uma espécie de agulha virtual introduzida pela Numark com a NS7, que permite ao DJ “caminhar” rapidamente pelas faixas. A novidade agora são os indicadores de LED, que dão ao DJ exata noção do momento da música, um motivo a menos para olhar para a tela do software.

A NS6 também tem placa de som integrada de 24bits/96khz, com saídas XLR balanceadas. Ela tem ainda diversas saídas e entradas estéreo (tipo RCA), saída para fone, duas entradas para microfones, duas entradas analógicas e conexão via USB. O peso pode ser um fator negativo, afinal ela é feita apenas de alumínio e borracha, nada de plástico!

O vídeo abaixo foi feito pelo blog Scratchworx durante a feira NAMM, em Janeiro passado. Para mais informações você pode consultar nosso post dedicado à NS6 ou o site do produto.

American Audio VMS4

Aqui finalmente a tecnologia touch screen faz parte do repertório de funções de uma controladora. A VMS4 foi lançada no ano passado, mas no início desse ano foi apresentada uma nova versão especial para o Traktor. Além de pequeníssimas mudanças no layout, o próprio Traktor ganhou uma versão exclusiva VMS4, que acompanha a controladora.

Já que levantamos a bola, vamos falar da funções touch da VMS4. Um pad semelhante ao de notebooks, bem no meio do equipamento, serve para procurar e incluir faixas ao software, com dois botões inferiores que carregam as músicas (Load). Ao lado dos Jog Wheels temos outras duas interfaces touch, que podem ser mapeadas para a manipulação de efeitos ou o que a criatividade do Dj preferir.

Os quatro canais do mixer são chamados de MINILOG, em referência à condição de poderem ser usados, assim como na NS6, como canais MIDI ou analógicos, bastando apertar um botão localizado na parte frontal da controladora. Desses canais dois têm a seleção line/phono, para a utilização de toca discos (phono,) ou CDJs e outras fontes de áudio.

Os Jog Wheels são pequenos, mas são os mesmos utilizados nos modelos de CDJs da empresa, muito precisos e anti derrapantes. O crossfader tem um módulo que pode ser trocado pelo Innofader, uma tecnologia que aumenta a precisão do crossfader e que vem fazendo a cabeça de muitos Djs. Essa é a primeira controladora MIDI que possibilita a troca (o innofader precisa ser recomendado separadamente).

Destaquei a parte do Sample Deck para mostrar que não há Sample Deck, apenas um seletor de Samples com controle de volume ao lado, Play e Recorder. A parte de loops também é bem simples, ainda mais se compararmos com o Loop Recorder, da Kontrol S4. Vemos também um dos dois módulos de efeitos, que podem ser usados para controlar qualquer efeito no Traktor ou mapeados para tal em outros softwares.

Hot Cues há vários, oito no total, sendo quatro botões em cada lado (oito botões no total, 16 Hot Cues). O acabamento também merece destaque. Além da iluminação de LED dos botões e knobs em vermelho, Play, Cue e Pause têm cores diferentes. E todos os faders, knobs e demais botões são “aveludados”, ou seja, não fazem aquele barulho chato ao rodar, deslizar ou apertar. Isso não faz diferença na balada, mas em casa faz!

A VMS4 tem duas saídas balanceadas e duas saídas RCA, uma Master e outra Booth. Tem também quatro entradas RCA para cada canal e duas entradas de microfone com volume, equalizador de três bandas individual e até indicação luminosa do que está sendo usado. A alimentação e conexão é feita via USB, mas pode ser usada uma fonte externa. Ah, claro, tem uma entrada para fone também.

A qualidade da placa de áudio integrada varia, de acordo com a fabricante: 24 bit/48khz para áudio analógico, 16 bit/44.1khz para USB/MIDI. Não faz aqueela diferença, mas qualidade nunca é demais! O que pode contar contra a VMS4, assim como a NS6, são o peso e o tamanho, afinal trata-se de um equipamento que irá acompanhar o DJ em viagens e trajetos de todo tipo.

Os dois vídeos abaixo demonstram o que pode ser feito com a VMS4. Ao final do primeiro você poderá escolher outros parâmetros da controladora para conhecer, basta clicar no desejado. E o segundo é uma performance do DJ Etronik, garoto propaganda do equipamento. E ele manda ver no Virtual DJ LE, para mostrar que quem tem talento é o homem, não o software.

Pioneer DDJ T1

Se você já teve um CDJ 200 ou 400, da Pioneer, essa controladora será muito familiar. Inspirada em modelos populares no mundo todo, a Pioneer entra no mercado apostando em um layout conhecido, na credibilidade da marca e pouca inovação para liderar a disputa dos quatro decks. E a história diz que pode dar certo…

Se você quiser conferir o post que fizemos sobre a DDJ-T1 (para Traktor) e DDJ-S1 (para Serato), clique aqui. A diferença básica das duas controladoras está na quantidade de decks: 4 para Traktor, 2 para Serato. O que é estranho se pensarmos na NS6, por exemplo. A DDJ-T1, a exemplo das concorrentes, vem acompanhada de uma versão especial do software Traktor.

O primeiro detalhe que fica evidente na foto é a elevação da parte inferior da controladora, permitindo que o teclado do laptop, que afinal não deverá ser usado, fique embaixo dela. O controle de volume Master e o volume e controle Cue/Master do fone ficam no centro do equipamento, entre os canais do mixer. A busca de músicas é feita por um botão giratório e para trocar de tela basta pressioná-lo. Para carregar uma música em um dos decks há 4 botões ao seu lado (Load).

Gosto dos botões de Cue e Play da Pioneer, talvez por estar acostumados com eles. Acredito que ter mantido os botões idênticos aos dos CDJs foi um acerto. Não gostei da forma como inseriram os Hot Cues, dividindo botões com funções de movimento de marcação de ponto, o que sem dúvida atrapalha. Também não há nada de mais na criação de Loops, seja manual ou automática.

As unidades de efeito ficam nos cantos superiores e permitem a seleção de um número maior de efeitos, que são controlados pelo botão Dry/Wet. Cada canal do mixer pode ser associado a dois tipos de efeito. O pequeno botão seletor Advanced/Chaned deve ser usado dependendo da versão do software Traktor. No canto superior há ainda a seleção de Decks (A,B,C,D) e um filtro do tipo Low/Hi Cut.

Vale destacar o Needle Search, função que a Pioneer pegou emprestado da Numark para navegação rápida dentro de uma track. Mas a Numark está um passo à frente, pois incorporou uma iluminação de Led que demonstra precisamente o momento da música.

A DDJ-T1 tem uma entrada frontal para microfone e uma entrada estéreo RCA. Uma saída estéreo RCA, uma saída P10 e duas saídas para fone de ouvido. A conexão e alimentação é feita via USB, mas há uma fonte de alimentação externa, que, dizem, melhora o desempenho da controladora (a iluminação do LEDs). A placa de som integrada tem qualidade 24bit/96khz.

Para mais informações acesse o site da Pioneer e dê uma olhada no vídeo abaixo, produzido pelo blog Scratchworx na feira NAMM deste ano.

Considerações

Temos uma segunda parte desse artigo, que inclui controladoras da Denon, Allen & Heath e Gemini. Selecionei para a primeira parte as controladoras que acredito terem mais chances de conquistar adeptos no mercado brasileiro.

Se fomos analisar friamente, não há grandes diferenças entre os equipamentos e sim detalhes. Cabe a cada um conhecer suas necessidades e particularidades, a começar pela pergunta: você precisa de uma controladora com quatro canais? Você faria uma apresentação melhor com quatro canais?

Digo isso porque muitas pessoas resolvem perguntar preço, se tem curso ou previsão de chegada para o Brasil, mas nunca utilizaram uma controladora na vida. Se você utiliza o Serato ou o Traktor, gosta de performances mais elaboradas, soltando elementos ao vivo, gravando voz, fazendo scratchs e tudo o mais, seja bem vindo. Se não, é melhor começar devagar, aprender, para poder dar vôos mais longos no futuro.

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Sobre o autor

Professor do curso de produção musical com Logic Pro. Coordenador de cursos e conteúdo da Ban.



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