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Duelo de controladores: Vestax VCI-100 versus M-Audio Xponent

Duelo de controladores: Vestax VCI-100 versus M-Audio Xponent Ultimamente não tenho escrito muito aqui no Submusica. Estou de férias cuidando de assuntos pessoais, mas fazendo um dos comparativos mais esperados: o duelo entre os melhores controladores midi do mercado, o Vestax VCI-100, que já analisei aqui, e o M-Audio Xponent, que recebi pela DJ Ban, loja de São Paulo especializada em equipamentos e cursos para DJs e produtores.

Seria complicado dar um veredito agora. Afinal, já estou com o VCI-100 em mãos há muito tempo, e domino o Traktor há quase 10 anos. Falta debruçar mais sobre o Xponent e o software Torq. Mas já rola tirar algumas conclusões interessantes. Se você está em dúvidas sobre qual controlador comprar, este artigo é pra você.

Controladores midi: o que são, e o que esperar de um

Antes de começar: já falamos aqui no Submusica sobre os diversos tipos de controladores midi voltados pra DJs que começaram a pipocar no mercado de equipamentos neste ano de 2007. Se você chegou por aqui sem saber do que se trata, recomendo ler o artigo Midi, a revolução sem volta, e também a parte 2 do mesmo artigo.

De todos os controladores apresentados até o momento, o M-Audio Xponent é o mais completo, o mais caro e também o mais promissor. Afinal, trata-se da M-Audio, um dos maiores fabricantes de controladores midi do mercado, uma verdadeira pioneira no assunto. Além de possuir muitos controles, é um dos poucos que oferecem áudio integrado e um software completamente pensado nele. Mais que isso, a M-Audio criou uma laboratório de especialistas chamado SynchroScience, um time responsável por todo o desenvolvimento de soluções voltadas para DJs na era digital.

E, logicamente, a expectativa em cima de um Xponent é enorme. Afinal, até o momento todos os controladores de respeito são feitos por empresas do ramo de equipamentos para DJs: mixers, toca-discos, CDJs, processadores de efeitos, e nenhuma delas está acostumada com os problemas inerentes ao mundo dos computadores.

Ou seja, o desafio é grande.

O M-Audio Xponent “out-of-the-box” (logo que sai da caixa)

Sempre que você recebe um produto que acabou de comprar, não tem momento mais legal do que a hora de desembrulhar o pacote, não é? Esse momento é tão mágico pra tantas pessoas que um site gringo se especializou na arte de filmar e fotograr produtos sendo abertos: o Unboxing. Seja um mixer, um celular, aquele box de DVDs da temporada de sua série favorita, até mesmo um Ferrorama, é sempre um momento legal.

A caixa do M-Audio Xponent. Ao lado, um “enorme” iPod Vídeo de 30 GB
A caixa do M-Audio Xponent. Ao lado, um “enorme” iPod Vídeo de 30 GB

E claro, ao pegar a enorme caixa do M-Audio Xponent (eu disse enorme? É pouco. Multiplique por dois), finalmente chega a hora de encarar o que tanto se fala por aí. Mas antes, um aviso: ela é muito grande. Repito mais uma vez: é grande mesmo. Ai, como era grande!

Mas o que deveria conter a caixa? Além do controlador, é claro, um cabo USB, e uma… fonte. Sim: o M-Audio Xponent precisa de uma tomada. Eu já sabia disso, afinal com todos seus leds e placa de som usb embutida, seria impossível fazer ele funcionar com apenas a energia do cabo USB.

E eis que vieram as duas primeiras surpresas agradáveis: a fonte do Xponent é muito pequena, do tamanho de uma fonte de um celular desses de 100 reais. O que é ótimo: tudo que eu menos queria era uma fonte do tamanho da de um laptop, como muitas que temos por aí, no mundo dos PCs. E acompanham 3 extensões: duas bipolares, uma com conectores tipo redondos, e outra com conectores chatos (retangulares); e uma tripolar, que deve servir para uso na Europa e em alguns países. Um ótimo sinal de preocupação com os DJs que estão sempre com o pé na estrada.

O conjunto de cabos e fontes que acompanham o Xponent: kit pra todas as situações
O conjunto de cabos e fontes que acompanham o Xponent: kit pra todas as situações

Mas, fora isso, um CD de instalação e um guia rápido. Manual mesmo, só em formato digital, tanto pro Xponent como pro software Torq. Tudo bem, afinal, estamos falando de DJs digitais. Mas acho que um aparelho complexo e caro pediria um manual impresso.

E vamos ao controlador!

Primeiras impressões: tamanho

O Xponent tentando caber em uma mochila Targus Eu já tive um BCD 2000. Foi meu primeiro controlador, e mesmo em se tratando de um Behringer, pelo menos ele era muito barato; sabia que tudo nele seria melhor nos modelos mais caros de fabricantes com maior renome.

Então, mal e mal, as primeiras impressões com um BCD 2000 foram agradáveis, pois sabia bem o que estava comprando, e ele me surpreendeu bem na parte física.

Porém, depois de pegar o Vestax VCI-100 pela primeira vez em mãos, quando o recebi, foi inevitável mandar um “agora sim, meu camarada!”. Todo feito em metal, robusto e pesadão, ali estávamos falando de um aparelho de verdade, com jeito de quem vai segurar a pressão e não amarelar. E fato, como você viu no review sobre ele, o danado realmente é resistente e parrudo.

Já o Xponent, a coisa foi esquisita. Primeiro, ele é muito, mas muito grande. Ao ponto de se tornar inviável carregá-lo numa mochila. Na foto ao lado você pode ver ele tentando entrar numa dessas enormes mochilas da Targus, que cabe com folga qualquer laptop de 15″ e até mesmo o Macbook Pro de 17″, além de controlador, discos de vinil, fones e todas as parafernálias de um DJ.

Não tem como. O Xponent vai pedir um case dedicado pra isso, e mesmo cases de discos de vinil como as geniais UDG não são suficientes para carregar nosso pequeno trambolho.

Mas, é claro, tem o lado bom também: chega de ficar com as mãos encolhidas como se fosse patinhas de hamster. O Xponent te dá espaço pra trabalhar folgado, é praticamente o mesmo que tocar com dois CDJs 100 ou 200 e um mixer básico de dois canais. Então, esse tamanho todo é um aspecto positivo.

Peso, material e acabamento

Sobre o peso, apesar de tudo ele é leve, e fica pau a pau com o Vestax VCI-100, apesar deste ser bem menor. Mas como o Vestax é de metal, acaba dando no mesmo. Se um deles é mais pesado, diria que ainda é o Vestax, mas pouca coisa.

A outra esquisitice foi a volta pro plástico. Confesso que fiquei muito mal acostumado com o Vestax, e logo ao mexer nos controles de pitch, a decepção: são moles como nos CDJ. Eu, que venho do mundo do vinil, ainda tendo a preferir a pegada de um pitch das Technics MK2 e cia. Nunca gostei dos pitches de CDJ, pois me dão a sensação que basta um espirro pra música sair do lugar. Mas acredito que isso seja paranóia minha mesmo, afinal temos inúmeros DJs tocando de CDJ numa boa, e eu não sou a melhor das referências.

Ainda sobre os pitches: o Xponent tem os controles todos simétricos em cada deck. Isso significa que todos os botões são na mesma posição dos dois lados. Isto é ótimo pois a ordem dos controles se mantém. No VCI-100, alguns controles são assimétricos, ou seja, a ordem se inverte em cada lado.

Porém, na parte do pitch isso é ruim. O pitch do deck da direita pode ser manipulado facilmente com a mão para fora do controlador. O mesmo não acontece com o deck esquerdo, e pra quem está acostumado a mixar apenas controlando o pitch, fica dificil fazê-lo sem ter um lugar para apoiar a mão. Dá pra apoiar em cima dos controles, já que eles não disparam tão facilmente, mas é um risco. Neste ponto o Vestax ganha.

Fora isso, o resto é bem tranquilo. Os botões são de borracha, firmes e de ótima resposta, similares aos pads que a M-Audio usa nos controladores de bateria Trigger Finger e nos Axiom. Eu tendo a preferir os botões do VCI-100, e fico no meio termo quando comparados aos BCD da Behringer. Ambos são de plástico, e fazem aquele irritante-mas-gostoso “click” quando você os aperta. Os da Vestax são perfeitos: eles afundam um pouquinho, dando um retorno táctil muito legal. Os do BCD infelizmente não afundam muito, e parecem que se você os apertar demais, eles vão quebrar, mas dá pra acostumar.

O M-Audio Xponent visto de perfil, ainda na caixa

Os knobs do Xponent são bem soltos, lembrando o BCD 2000. Se por um lado isso é bom para manobras rápidas, por outro causam a mesma sensação que descrevi quanto ao pitch. Mas no geral, são muito bons também, demora um pouco pra se acostumar.

Uma nota sobre os knobs que acho que a indústria inteira deveria seguir: eles acendem, e mostram claramente como está a posição de cada um mesmo no maior escuro. Uma sacada genial da M-Audio, com certeza fruto do trabalho da equipe do Synchro Science.

O duelo dos jog wheels

Geral quer saber logo isso né? Todo mundo sempre pergunta “dá pra fazer scratch?”. Pois bem.

Os jogs do Xponent são maravilhosos. Logo que eu vi a primeira foto, achei ridículos os jogs lá em cima. Mas esse é o esquema mais inteligente que há, e foi mais uma das muitas sacadas de mestre da Synchro Science. Porquê? Explico.

Até hoje, o conjunto de equipamento de um DJ sempre foi de pelo menos um trio de equipamentos: um mixer e dois decks. Sejam toca-discos, CDJs, fita cassete, vitrola da vovó, o que for. Neles o DJ controla a execução da música (tocar, parar, acertar velocidade), e grande parte do trabalho é feito no mixer. O máximo que se faz são alguns truques e firulas nos decks, mas na maior parte do tempo o DJ manipula mesmo é o mixer (ao menos em tese, mas isso fica pra um artigo futuro).

Quando começaram a vir os controladores midi, a primeira vantagem foi o conceito de tudo em um. Até aí, maravilha. O problema é que na hora de começar a mexer freneticamente no mixer, o DJ precisa de um espaço. Com os jog wheels ao lado dos canais de faders, fica muito fácil dar uma esbarrada nos jogs e fazer uma lambança — eu mesmo cansei de tomar cuidado com o Vestax.

No vídeo que eu gravei no review do VCI-100, minhas mãos estão “cheias de dedos” justamente pela precisão milimétrica que você precisa para manipular o danado. Afinal, qualquer encostada nos jogs faz com que a música dê uma pausa, e aí já era uma boa mixagem, e começa algo que vai soar mais como o descarrilhamento de trens da Central do Brasil na hora do rush…

Vestax VCI-100 e M-Audio Xponent lado a lado
Vestax VCI-100 e M-Audio Xponent lado a lado: diferença na localização dos jogs

Então, neste ponto, os jog wheels do Xponent são muito legais. Estão bem localizados, e posso dizer: tem que ser um animal pra conseguir fazer lambança com eles (ok, se um dia vocês me pegarem fazendo lambança, podem me chamar de animal, eu deixo).

Assim como no VCI-100, eles são sensíveis ao toque na parte superior, e podem ser tocados na lateral para fazer o chamado “pitch bend”, aquela cutucadinha no disco pra acelerar ou freiar sutilmente a velocidade da música. Com uma grande vantagem: eles são bem mais altos, e tem muito mais espaço pra pegar nas bordas, algo que não acontece com o VCI-100.

Porém… Não tem como fazer scratches!

Porquê? Não por causa dos jogs. Eles se comportam de maneira exemplar, e não têm aquele probleminha do Vestax na hora de soltar uma música como se fosse um vinil (o Vestax ainda vai ter correção com uma atualização de firmware, que está por vir desde agosto).

O problema está no crossfader!

A proximidade entre os faders e os knobs é algo ruim no XponentCrossfader e faders de canal

Este aqui é um calcanhar de aquiles do Xponent: não existe controle da curva do crossfader. Uma das maiores vantagens do Vestax VCI-100 é que ele tem um controle dedicado na traseira para ajustar a curva do crossfader, independente do software oferecer esta opção.

No caso do Xponent, nada disso. Ele depende do software, e neste momento, o Torq não oferece nenhum ajuste. Lamentável. Porém, não é de se chorar: isso pode ser resolvido a qualquer momento, basta sair uma versão nova do Torq. E se você configurar o Xponent para funcionar com o Traktor DJ Studio 3, tudo fica resolvido, porque ele oferece este controle.

Já quanto aos faders de canal, uma nota: são muito curtos e soltos. Eu gosto de faders soltos, pois tenho mais facilidade para fazer cortes rápidos nos faders de canal, mas não gosto deles muito curtos. Pra quem já teve um mixer Numark recente, isso não é problema algum.

O grande porém mesmo fica na grande proximidade dos knobs de graves. Confira a foto ao lado: fica muito fácil diminuir o volume acidentalmente ao manipular graves durante uma mixagem, o que pede algum tempo de costume com esta falha no design, pois eles poderiam ser mais afastados. Aqui o ponto vai para a Vestax, que nesta parte deixou os faders bem isolados do resto.

Botões, botões e mais botões

Este é um quesito no qual o Xponent bate um bolão. Sobram botões para manipular tudo. Loops, cue points, efeitos, cada deck com os seus. E ainda tem o trackpad, que pode funcionar como um controle midi ao invés de controlar o mouse (algo que ele não faz muito bem). Aí estamos falando de um mini Kaoss Pad embutido, algo que pra mim já fez valer a compra.

Se você é louco por efeitos e quer ter muitas configurações avançadas e personalizadas pros seus botões, pode parar de ler este artigo e encomendar o seu. O Xponent tem tantos controles que fica difícil justificar o acréscimo de mais um controlador midi no seu equipamento. Eu mesmo pensava em comprar um Trigger Finger e por ora desisti da idéia, pois até conseguir remapear tudo a meu gosto, tem é botão sobrando.

Os dois melhores controladores do mercado se enfrentam no laboratório de testes do Submusica
Os dois melhores controladores do mercado se enfrentam no laboratório de testes do Submusica

Moral da história: Vestax VCI-100 ou M-Audio Xponent, qual comprar?

A idéia aqui não é fazer um review sobre o Xponent. Esse eu quero fazer mais pro fim do mês, quando pegar mais tempo de estrada com ele, e principalmente, com o Torq, que é muito bom e precisa ser desvendado.

Porém, a temporada 2007 já está acabando, e pra mim falta apenas dar uma conferida no Numark Total Control, se bem que este pouco me interessa, pois acho que ficou em um lugar onde ele não resolve a situação de ninguém e seu preço não se justifica.

O Vestax VCI-100 é decididamente um dos melhores equipamentos do mercado e foi pensado para durar. Seu preço assusta, afinal ele sai quase a mesma coisa que um Xponent, e ele ainda precisa de uma placa de som, mas a durabilidade e a pegada da sua construção fazem dele um controlador altamente recomendável, principalmente se você já possui uma placa de som externa.

Definitivamente ele é o controlador mais recomendável para DJs que querem fazer scratches (se bem que eu acho que eles deveriam ficar com o velho e bom vinil), e desejam mixar numa pegada mais old skool, sem mixagens longas e com muitas viradas rápidas, back to backs e estilo de mixagem agressivo. Pra turma que mixa hip hop, jungle, old skool, reggae, dub, rock, música brasileira, este é o controlador.

A grande vantagem do VCI-100 é que ele foi pensado 100% com a cabeça voltada para o Traktor 3, e isso faz com que ele seja um campeão neste aspecto. Sem contar que ele tem envergadura para aguentar a rotina de um DJ com a agenda movimentada e que faz seus eventos como casamentos, festas de empresas, recepções e outras coisas mais simples que exigem menos técnica e mais repertório.

O Xponent oferece muitos e muitos botões para controle dos decks Já o Xponent é mais recomendado para quem já está acostumado com um controlador midi e que deseja uma solução “tudo em um” como os Behringer BCD 2000 e 3000. Com uma excelente placa de som onboard, e um software completo e poderoso como o Torq vindo junto no pacote, o custo x benefício dele é sem dúvidas o melhor pra quem quer algo mais profissional.

Este é um controlador que foi pensado para DJs que curtem fazer mixagens longas e detalhadas, graças ao seu pitch comprido e excelentes jogs. Além disso, ele possui ótimos botões para loops, cues e efeitos, o que fazem dele um controlador ideal para quem mixa house, electro, breaks, minimal e techno.

A verdade é que é dificilimo escolher entre ambos. Diria que onde um erra, o outro acerta, e vice-versa. Se no Vestax é mais fácil escolher músicas usando as setas, no Xponent isso é mais dificil por causa do trackpad de baixa qualidade, que fica muito melhor se associado a efeitos. E se no Vestax a parte de efeitos é complicada por ser resumida, no Xponent ela dá um show ao ter muitos botões dedicados ao assunto.

O problema da Vestax é que ela só sabe fazer equipamentos. Ela não está pronta pra lidar com problemas de software, drivers, incompatibilidades e atualizações, vide o tempo que está demorando pra colocar um simples update de firmware na praça.

Já a M-Audio entende bem do assunto. Mas mostrou que ela tem muito que aprender e que DJs precisam de material mais resistente do que um músico tocando seu teclado. E ao fazer algo mais fechado, ela se aventurou em uma área que não é a praia dela: software. Eu no lugar deles teria liberado arquivos de configuração oficiais pra outros programas do mercado, mas por enquanto estes você só encontra feitos por usuários nos fóruns da vida.

Enfim, diz o ditado que quem ri por último, ri melhor. E eu tenho certeza que o pessoal da Pioneer está preparando uma gargalhada sonora pra 2008. Eles tradicionalmente são mestres neste ditado, e desde 2005 eles já dão indícios que sabem que um bom controlador precisa de software.

Agora, sendo franco? Não é pra desistir, não. Aventure-se neste segmento. Não fique atrasado como a maoiria dos DJs que só agora está descobrindo os simuladores de vinil, coisa que já descobri e usei muito há quase 3 anos, assim como outros amigos, muitos DJs competentes e de grande habilidade.

Como disse no meu primeiro artigo sobre o assunto, a revolução é sem volta. Não adianta chorar.

O Submusica agradece ao pessoal da DJ Ban pelo apoio e excelente atendimento.
Para conhecer a loja VIP da DJ Ban, acesse: www.djban.com/lojavip

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